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Katia Abreu |

Por Katia Abreu

Fazer releituras é uma arte bastante arriscada. Ainda mais quando se trata de um disco em que arranjos e voz (Milton Nascimento é o nosso maior cantor vivo) são tão bem trabalhados que chegam perto de atingir a perfeição. E uma homenagem a ele deveria primar por duas coisas. A primeira delas, certamente, é o apuro técnico e a segunda, talvez mais importante, as ligações afetivas.

Neste Flores do Clube da Esquina , apesar da boa idéia de colocar apenas mulheres para reinterpretar as canções do álbum de 1972, falta um pouco de alma ¿ justamente por uma evidente ausência de identificação entre quem canta e quem escreveu as músicas. Não dá pra dizer que falta técnica vocal ou afinação a nenhuma das moças aqui reunidas, mas falta a elas a emoção que Milton imprimia ao dizer cada palavra.

Ivete Sangalo abre o disco com uma correta Cravo e Canela, mas poderia ter ousado mais do alto de seu posto de musa pop. A Marina de La Riva coube uma das canções mais difíceis do disco, a tensa Dos Cruces, e ela se sai bastante bem; assim como Mariana Baltar em Cais, que carece de grandiloqüência, mas não faz feio. A bela voz de Roberta Sá dá corpo a Tudo Que Você Podia Ser, que virou um samba morno, assim como a originalmente sublime Me Deixa em Paz, que vem aqui em dueto chocho de Tereza Cristina e Seu Jorge.

A desconhecida Shirle de Moraes não fede nem cheira em San Vicente. Meg Stock, vocalista do Luxúria, faz de Nada Será Como Antes um blues rock ¿ desnecessários ela e o arranjo, que parece mais uma homenagem à Cazuza do que aos mineiros. As pop Luisa Possi (Paisagem da Janela) e Marjorie Estiano (O Trem Azul) também não convencem, não imprimem personalidade alguma às canções (tem-se a impressão de que poderiam estar cantando qualquer coisa aqui... que tanto faria).

Já as mineiras Marina Machado e Fernanda Takai têm candura e delicadeza de sobra e se saem bastante melhor, acompanhadas pela grande estrela do disco Milton Nascimento, respectivamente em Nuvem Cigana e Gosto de Sol. E junto com Vanessa da Mata, que faz uma versão minimalista, piano e voz, para Um Girassol da Cor de Seus Cabelos, fazem o álbum valer a pena.

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