Três gatos e muitas vidas no Tim Festival em São Paulo

Fred Leal |

Acordo Ortográfico

O Auditório do Ibirapuera recebeu nessa sexta-feira, em noite apelidada The Cats, três grandes nomes internacionais do jazz: o veterano trompetista polonês Tomasz Stańko, o pianista italiano Enrico Pieranunzi, e o aclamado guitarrista americano Bill Frisell. Passeando por estilos diferentes entre si, mas mantendo o ímpeto vanguardista em comum, os três compositores apresentaram no Tim Festival um show majoritariamente autoral e, por diversos momentos, impressionante.

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Stańko abriu a noite acompanhado por um jovem quarteto de guitarra, baixo, piano e bateria. Depois de passar boa parte dos anos 90 reaprendendo a tocar sem sua dentição natural, o trompetista polaco mostrou grande delicadeza na construção de melodias intrínsecas, sobrepondo instrumentos e silêncio em encadeamentos obtusos. A repetição dos riffs e o lamento de seu trompete dava unidade aos arranjos, e permitia que os músicos explorassem livremente os temas em breves improvisações.

O pianista Enrico Pieranunzi ficou um pouco espremido entre a originalidade de Frisell e a pungência de Stańko. Fortemente influenciado pela música erudita e a da Espanha, Pieranunzi apresentou um estilo mais clássico e invariavelmente menos impactante, apesar de cruzar a fronteira do post-bop. Acompanhado apenas de baixo e bateria, mostrou grande talento para preencher espaços e sublinhar os momentos de tensão da harmonia.

Bill Frisell, grande estrela da noite, surgiu no cenário do jazz nos anos 80, e sua fusão de country, blues e - por que não? ¿ punk o transformou em um dos nomes mais celebrados da guitarra. Famoso por recorrer a uma série de pedais de efeito na construção de suas canções, Frisell não decepcionou o público brasileiro, e usou até um pedal de loop, sampleando pequenos pedaços do arranjo que, repetidos, faziam a cama para sua guitarra solar.

Também acompanhado apenas por baixo e bateria, o guitarrista começou sua apresentação explorando atonalidades e pequenos movimentos. Mas foi na segunda metade do show que o guitarrista empolgou a plateia: primeiro, com uma versão quase metaleira-com-delay do clássico de Bob Dylan Masters of War, puxada após uma lindíssima jam de blues com tintura folk e ecos de Ry Cooder. Logo depois, uma inesquecível releitura de Whats Going On, hino político de Marvin Gaye. Com a partida ganha, ainda voltou para o bis com fôlego pra mais um clássico: A Change Is Gonna Come, de Sam Cooke, encerrando a noite de forma impecável.

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