Tony Tornado volta aos palcos em grande estilo

Aos 81 anos, cantor mostrou disposição de garoto e relembrou seus sucessos dos anos 1970

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Em toda a sua carreira, Tony Tornado lançou apenas dois álbuns, sendo que o último deles saiu há quase 40 anos. Ao ver o cantor na Virada Cultural paulistana, esse afastamento parece inexplicável. Voz potente, porte altivo, um carisma tal que sua simples presença já deixava o público em polvorosa. E, ainda por cima, dançando como se tivesse pelo menos vinte anos a menos que os 81 que de fato tem.

O encerramento precoce de sua carreira musical é uma das tragédias da música brasileira. Tornado tornou-se um astro em 1970, quando a música "BR3", defendida por ele, conquistou o Festival Internacional da Canção. Logo em seguida, ele lançou dois álbuns, em 1971 e 1972, em que ajudou a moldar o que se tornaria o funk nacional. Ao lado de Tim Maia e Cassiano, ele era a cara da nova música negra brasileira.

O problema é que o funk de Tornado não se resumia a batidas dançantes. Tinha um componente forte de denúncia do racismo no Brasil, e isso fez com que a ditadura militar o obrigasse a deixar o país. Com isso, sua carreira de cantor foi interrompida - nos anos seguintes, seu sucesso como ator se encarregou de enterrá-la de vez.

Felizmente, nos últimos anos Tornado lentamente voltou aos palcos. No mês passado, por exemplo, cantou em São Paulo acompanhado do grupo Groovadelics. Mas, nesta Virada, seu acompanhamento é ainda mais especial: a banda Abolição, liderada pelo brilhante pianista e arranjador Dom Salvador, e ela também uma lenda da música negra brasileira. A reunião aconteceu especialmente para esta performance na Virada.

O show começou com um número solo da Abolição, "Number One", faixa de seu primeiro e único disco, "Som Sangue e Raça", de 1971. Em seguida, Tony subiu ao palco usando um terno azul turquesa e boné e cantou duas de suas músicas mais dançantes, "Tornado" e "Podes Crer, Amizade". Logo depois, deixou a tarefa de cantar (e dançar) para seu filho, Lincoln. "Ele faz o que o velho aqui não consegue mais fazer", brincou.

Depois de um rápido descanso, Tony estava de volta. Anunciou então uma homenagem a Tim Maia que levantou a Praça da República. Primeiro, com a balada "Primavera". Depois, com a dançante "Sossego". Sem dar tempo para o público se recuperar, já emendou com "BR3". Deveria ser a última canção da noite, mas os pedidos de bis foram tão insistentes que ele voltou e repetiu "Podes Crer, Amizade".

Se o show teve um defeito, foi sua duração, pouco mais de 40 minutos apenas. O som também poderia estar melhor - o piano de Dom Salvador, principalmente, mal podia ser ouvido. Detalhes importantes, sem dúvida, mas que diante do prazer de ver Tony Tornado no palco tornam-se quase insignificantes.

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