cortar música é como matar um filho - Música - iG" /

Tom Zé: cortar música é como matar um filho

Músico inicia temporada em São Paulo nesta terça-feira

Augusto Gomes |

"Cortar música é como matar um filho". Com essa palavras, Tom Zé define a dificuldade para definir o repertório do show "Retrospectiva: Espinha Dorsal da Carreira", que acontece até sexta-feira (07) no Teatro Fecap, em São Paulo.

Os mais de quarenta anos de carreira do músico tiveram que ser resumidos num roteiro com aproximadamente vinte músicas. Os shows darão origem a um DVD, que também será exibido no Canal Brasil, e um CD ao vivo, a ser lançado pela Biscoito Fino.

Para selecionar o repertório, Tom Zé contou com a ajuda de Charles Gavin, baterista dos Titãs e co-diretor do espetáculo. "E também da Neusa ( Martins, esposa e empresária do músico ), que é o Espírito Santo da Salvação", revela. 

Estarão na apresentação desde músicas de seu primeiro álbum, de 1968, até canções do último, Estudando a Bossa , de 2008. Não faltarão também faixas dos clássicos Todos Os Olhos (1973) e Estudando o Samba (1976), discos que fizeram a fama de Tom Zé no mundo.

Perguntado se houve alguma de espécie de "redescoberta" de algumas músicas mais antigas, o músico responde: "Puxa, você acertou no alvo. Em algumas canções, como 'Menina Jesus' e 'Abacaxi de Irará', a descoberta foi um prazer natalino".

O show também serviu para Tom Zé reavaliar sua obra. "Para quem está trabalhando com o gás e a atividade com que estou, fazer retrospectiva parece até brincadeira. Entretanto, eu senti orgulho de canções antigas, porque muitas delas tratavam de assuntos da vida nacional, como quem acerta bem na mosca", avalia.

"Sem perceber, nos discos antigos eu acabei escrevendo uma espécie de História do Brasil sincrônica. Quer dizer, os fatos saltam e não estão na ordem direta, mas são presentes e constantes", completa.

É a segunda retrospectiva que o músico faz este ano. Na última Virada Cultural paulista, em abril, ele tocou seu disco de estreia na íntegra, num show no Teatro Municipal. Mas, segundo ele, os dois projetos não estão ligados. "Aquela apresentação não teve influência nessa, porque agora é uma espinha dorsal da carreira", afirma.

A ideia de regravar seu primeiro álbum, no entanto, foi engavetada. "Você sabe que hoje em dia a crise interfere nos planos e nos contraplanos. A regravação está parada", explica.

A temporada do espetáculo "Retrospectiva: Espinha Dorsal da Carreira" acontece de terça (04) a sexta (07) no Teatro Fecap (Avenida Liberdade, 532, Liberdade), em São Paulo, às 21h. Os ingressos custam R$ 20. Na quarta (05) e na quinta (06), os shows serão gravados para o DVD e o CD ao vivo.

Veja abaixo o repertório previsto para as apresentações:

"São São Paulo" (1968)
"Parque Industrial" (1968)
"Jimmy, Renda-Se" (1970)
"Menina, Amanhã De Manhã" (1972)
"Se O Caso É Chorar" (1972)
"Todos Os Olhos" (1973)
"Brigitte Bardot" (1973)
"Augusta, Angélica e Consolação" (1973)
"Tô" (1975)
"Ui! (Você Inventa)" (1975)
"Hein?" (1975)
"Menina Jesus" (1978)
"A Carta" (1978)
"Nave Maria" (1984)
"O Amor é Velho¿Menina" (1992)
"Defeito 3: Politicar" (1998)
"Classe Operária" (1978)
"Companheiro Bush" (2003)
"João Nos Tribunais" (2008)
"Roquenroll Bim Bom" (2008)
"O Céu Desabou" (2008)
"Síncope Jãobim" (2008)
"Neto" (1990)
"Defeito 1: O Gene" (1998)

    Leia tudo sobre: tom zé

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG