Titãs lança novo CD de inéditas sem querer parar

Branco Mello fala sobre o novo disco, Sacos Plásticos

Juliana Zambelo |

É de conhecimento geral que o número 27 é maldito no rock. Foi aos 27 anos de idade que morreram grandes figuras do estilo, de Jim Morrison a Kurt Cobain passando por Janis Joplin e Jimi Hendrix. Sem dar a mínima para a maldição, é em plenos 27 anos de carreira que os Titãs chegam ¿ vivos e lúcidos ¿ ao seu décimo segundo álbum de estúdio sem planos de parar.

Sacos Plásticos é o nome do álbum lançado em todo o país este mês. O trabalho marca a mudança do grupo para o selo Arsernal e é o seu primeiro trabalho com o produtor Rick Bonadio ¿ nome por trás do sucesso de NX Zero e de trabalhos de Charlie Brown Jr, entre tantos outros. Ele assina a direção artística e de repertório, a produção e a mixagem.

Sérgio Britto, Tony Bellotto, Paulo Miklos, Branco Mello e Charles Gavin se dedicaram um ano a esse álbum. Foram cerca de 40 músicas compostas e trabalhadas durante este período para que eles chegassem às 14 faixas finais de Sacos Plásticos . O disco traz uma participação do guitarrista Andreas Kisser e uma parceria com Arnaldo Antunes e Liminha.

Em entrevista por telefone, Branco Mello falou ao iG Música sobre as gravações de Sacos Plásticos , a química com Bonadio, os anos longe do estúdio e o novo show, que promete uma volta às raízes do grupo.

Como foi o trabalho com o Rick Bonadio?
Foi ótimo, a gente gostou muito. A gente sempre trabalhou com grandes produtores e conhecemos mais um. Ele é um cara muito experiente em estúdio, conhece tudo. Uma banda como os Titãs tem cada vez uma exigência maior, a gente fica muito mais perfeccionista [com o tempo], então é muito bom ter um bom produtor do nosso lado que saiba captar o melhor de cada um no estúdio, saiba fazer a gente render o máximo e com tranqüilidade e prazer. E ele conhecia muito bem nossa música, todos os nossos discos, então parecia que a gente já trabalhava há muito tempo juntos, rolou uma empatia muito grande.

Depois de tantos anos de carreira, os Titãs já têm uma rotina para trabalhar em estúdio?
Nesse disco a gente experimentou um monte de coisas novas e foi o primeiro disco em algum tempo que a gente gravou só os cinco Titãs, foi uma espécie de volta às origens. No início [da carreira], a gente tinha essa coisa do revezamento não só dos cantores, mas também dos instrumentos. Fizemos isso no estúdio e deu muito certo, o resultado ficou muito quente.

Sacos Plásticos é um disco que fala muito de amor, ainda que amores diferentes e muitas vezes obsessivos.
Ao longo da nossa carreira, além de termos misturado ritmos, [construído] essa identidade titânica do som nessa mistura que a gente faz com rock, reggae, funk, a gente tem um leque muito grande de possibilidades de poder falar de qualquer assunto. E acho que nesse disco tem muita coisa mais visceral, tem o amor por dinheiro, tem Sacos Plásticos, que é uma música de amor ao contrário. É um disco romântico com uma pegada bem titânica. A gente tem muita experiência em fazer disco, somos de uma geração em que é importante a obra como um todo. Um disco são 14, 15 músicas agrupadas, não é um single. É muito importante a composição de um repertório.

Esse disco é lançado depois de quase seis anos sem um trabalho de estúdio dos Titãs. Vocês sentiram que, para vocês, foi tempo demais sem um disco de inéditas?
Hoje em dia nossa relação com nossa carreira é mais tranquila. Com 27 anos de carreira, às vezes é chato ter que gravar de dois em dois anos. Tem um desgaste gravar um disco, você tem que estar muito livre, e a gente faz muitas outras coisas. A gente fez o disco ao vivo com a MTV [ MTV Ao Vivo Titãs , lançado em 2005], saímos da gravadora antiga, depois gravamos um disco com o Paralamas [ Paralamas e Titãs Juntos e Ao Vivo , de 2008], que foi uma coisa deliciosa, então muita coisa aconteceu.

Como serão os shows desse disco?
A gente está preparando, vamos escolher o repertório. Temos um repertório de mais de 150 músicas, tem músicas para fazer quatro ou cinco show diferentes. E agora vai ser um show novo, só nós cinco no palco.

O grupo ganhou recentemente um documentário, "Titãs: A Vida até Parece uma Festa", dirigido por você. Há planos para lançar esse registro em DVD?
A gente está trabalhando para lançar o DVD provavelmente em setembro, cheio de extras, com cenas inéditas. E ele vai chegar ao mercado quase junto com o lançamento da nossa turnê nova.

Além do documentário, os Titãs já têm uma biografia (também chamada A Vida Até Parece Uma Festa, lançada em 2002). Você acha que até aqui a história da banda está bem contada?
Eu acho que tem muita coisa para acontecer ainda, depois a gente conta. Parece que os Titãs ainda tem uma vida muito longa.

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