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The Verve BR Forth

Katia Abreu |

Por Katia Abreu

Um túnel do tempo trás de volta 1997. O ano em que o Radiohead revolucionou a música pop do final da década com Ok Computer , e pôs fim ao predomínio da patética briga entre Oasis e Blur, que chamava mais atenção dos jornais e revistas britânicos do que a música que se produzia naquela época. Urban Hyms , terceiro disco do Verve, também foi lançado neste ano. O ano em que o chamado britpop entrou em colapso.

De lá pra cá, artistas que batiam recordes de vendagem praticamente toda semana caíram numa espécie de limbo criativo. Alguns, como o Oasis, até mantiveram álbuns na praça, mas nada que artística ou comercialmente se comparasse aos êxitos obtidos até 1997.

O Verve, após o sucesso de singles como Bittersweet Symphony, Drugs Dont Work, Sonnet e Lucky Man, combalido por diversos problemas jurídicos e pessoais, encerrou suas atividades em 2000. O vocalista e principal compositor da banda, Richard Ashcroft, se lançou em carreira solo, com três discos e até alguns bons singles, mas nada comparado ao auge da banda. Ano passado o Verve decidiu voltar, saiu em turnê por aí e agora lança Forth , seu quarto disco.

E com esse título que indica avanço, vontade de dar o próximo passo, o Verve nos leva de volta a 1997. A atmosfera psicodélica, as letras meio filosóficas, arranjos de cordas, linhas de piano, tudo que apresentam neste disco já estava lá. Mas, mesmo sem grandes inovações, Ascroft consegue ir adiante, está mais maduro, usando incertezas e angústias comuns a todos nós como motriz para suas canções.

I See Houses sintetiza bem o tema do disco: a sensação de que a vida ¿ e o amor ¿ é cíclica. É aquela impressão que bate às vezes de já termos estado em um local ou situação, ou de que estamos vivendo o mesmo dia todo dia, posta como inevitável por Ascroft. Na dançante Love is Noise, escolhida como primeiro single do álbum, ele pergunta, como um sábio resignado: Estamos cegos, podemos ver? / Somos um, incompleto / Estamos cegos, na cidade? / Esperando uma luz que nos salve / Porque o amor é ruído, o amor é dor / O amor é esta tristeza que estou cantando de novo.

Na faixa que abre Forth, Sit and Wonder, Ascroft canta que estava aguardando o momento de voltar, pede luz e se mostra disposto a aprender ¿ e ir adiante. Há um sentimento de querer se mostrar vivo neste quarto disco do Verve, que cai bem ao contexto da música britânica hoje. Por um lado, há crise instaurada na cena indie, outrora tão fértil, que não dá ao mundo nenhum artista realmente relevante e interessante. Por outro, artistas da áurea década de 90, como Spiritualized , Supergrass , Portishead e Primal Scream lançando bons discos (tem Oasis novo pra este ano ainda), que se já não causam tanto furor, indicam que aquela geração soube se manter viva e com capacidade de nos emocionar, apesar de todas as reviravoltas que o mundo deu desde 1997. E tem o Radiohead, que deu a largada pra estes novos tempos há 11 anos atrás, e está aí, firme, como ícone de uma época em que é preciso parar de lamentar as coisas e ir adiante.

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