The Strokes faz alegria do público com show saudosista em São Paulo

Banda nova-iorquina foi a principal atração de festival que ainda teve Beady Eye e Interpol

Tiago Agostini, especial para o iG |

AgNews
O vocalista do Strokes, Julian Casablancas, no show em São Paulo
O festival Planeta Terra, em São Paulo, chegou à sua quinta edição no sábado (5) com um público menor que em 2010 - por decisão da organização - e com um headliner que é a cara da geração que frequenta majoritariamente o evento. O Strokes, em sua segunda passagem pelo Brasil, fechou a noite com um show que surpreendeu os presentes pela qualidade.

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A maratona, porém, começou bem antes, às 16h, com show de Criolo no palco principal. Com uma banda que reúne alguns dos melhores músicos da cena independente de São Paulo, o rapper fez um ótimo show que teve participação do público como poucas vezes a primeira atração conseguiu. Seguido do maracatu de uma tonelada da Nação Zumbi, com seu show sempre intenso, os dois artistas provaram que talvez seja hora do festival escalar bandas nacionais em horários mais adiantados.

Em seguida, um dos destaques do palco indie foi a participação do dançarino Jacaré, ex-É O Tchan, no show do Garotas Suecas, dançando a música "Banho de Bucha". Enquanto isso, no palco principal o White Lies fazia um show monótono e calcado em influências oitentistas.

De volta ao palco indie, o Toro Y Moi enfrentou alguns problemas no som no começo de sua apresentação concorrida: apesar de ter aberto uma nova passagem para o palco neste ano, a entrada pelo lado direito estava congestionada, como em 2010. Sorte de quem passou e pode conferir uma boa apresentação com toques de space rock climático.

Mesmo no palco principal, o Broken Social Scene mostrou que tem DNA indie completo: guitarras distorcidas erráticas, noise, vocal estridente, baixo e bateria quadrados. A banda abriu espaço para o Interpol proporcionar uma das surpresas da noite, ao fazer um show bem melhor que em sua primeira passagem pelo Brasil, em 2008. A quantidade de público que assistiu à apresentação também mostra que o culto aos anos 80 está longe de acabar.

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Liam Gallagher, líder do Beady Eye
No palco indie, já próximo da meia-noite, o Goldfrapp fez um show que demorou a engrenar, mas depois de uns 20 minutos - e da dose certa de melodias - conseguia agradar mesmo os não fãs de música eletrônica.

Sob a constante sombra do Oasis, o Beady Eye, do vocalista Liam Gallagher, fez um show morno no palco principal. Durante toda a carreira da banda de Manchester sempre foi claro que o guitarrista Noel era a metade criativa da família Gallagher. Ao vivo, o Beady Eye só reforça a impressão deixada em sua estreia, "Different Gear, Still Speeding": há boas ideias nas composições, mas nenhuma delas empolga em momento algum.

Depois de ser o responsável por esgotar todos ingressos do evento em menos de um dia, o Strokes correspondeu à expectativa e fez o melhor show da noite. Tudo bem que as apresentações anteriores não deixaram o nível lá muito alto, mas o grupo de Julian Casablancas enfileirou hits de seus dois primeiros discos e fez a felicidade de todas as pessoas que frequentaram uma pista de dança dos inferninhos indies na última década.

Julian compensou as falhas na voz com uma dose extra de carisma. Falou em português, agradeceu o público e até fez uma pequena declaração picante para o baterista Fabrizio Moretti. O público, óbvio, respondeu: pela primeira vez na noite a massa pulava com vontade durante hits como "Reptilia", "Hard To Explain", "Juicebox" e, claro, "Last Nite". Um bom final para a edição mais fraca do evento.

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