The Cult mostra sucesso da reconciliação no show em São Paulo

Marco Tomazzoni |

Acordo Ortográfico

No terceiro compromisso de uma turnê extensa pelo Brasil, com seis datas, os ingleses do The Cult mostraram ontem à noite no Credicard Hall, em São Paulo, que, apesar de terem vivido seu auge na década de 1980, ainda têm relevância nos palcos de hoje, em especial para a massa sólida de fãs que acompanha a banda.

Mergulhado no heavy metal britânico, com olhos no pós-punk e ouvidos no bom rock sessentista, o Cult nunca chegou a estabelecer uma personalidade muito nítida. Mesmo assim, cravou singles de sucesso no imaginário roqueiro na passagem das décadas de 1980 e 90 e possuía um vocalista talentoso, Ian Astbury.

O esmorecimento do grupo nos anos seguintes e brigas internas fizeram com que Astbury se unisse aos remanescentes do The Doors no Riders on the Storm, tentando encarnar um Jim Morrison moderno (e vivo). A aventura rendeu seus dividendos, mas o vocalista botou a mão na cabeça, percebeu que ser cover não tinha futuro e fez as pazes com o antigo grupo.

A reconciliação rendeu o álbum Born Into This , surpreendentemente juvenil, e a turnê que está passando pelo país. Se o Cult parece não saber muito bem qual é seu público hoje, isso não incomodou em nada os fãs que compareceram em bom número ao Credicard Hall e reverenciaram o grupo do início ao fim.

A dedicação estava evidente antes mesmo da banda subir no palco ¿ o atraso de 40 minutos fez os roadies ouvirem protestos irados. O quinteto, enfim, fez sua entrada sob spots de luz negra. Ovacionados, tocaram na sequência "Nirvana" e "Rain", duas faixas de Love (1985), talvez o disco mais cultuado do grupo. A surpresa foi que uma coluna inteira de caixas em um dos lados do palco permanecia silenciosa e o som, consequentemente, em mono. O problema só foi corrigido na quarta música e, a partir daí, a temperatura subiu.

Da formação original, só permanecem Astbury e o guitarrista Billy Duffy que, de fato, são as estrelas da noite. O vocalista consegue deixar um pouco de lado os tiques a la Jim Morrison que assobraram sua figura nos últimos anos e, apesar da idade estar evidente, cumpre seu papel com perfeição. O mesmo pode se dizer de Duffy: os holofotes seguem sua guitarra o tempo todo e tirando alguns momentos de exibicionismo "guitar hero", sua habilidade no instrumento surpreende e dita o show.

A receptividade da platéia só fez os dois se soltarem ainda mais ao longo da apresentação. "Fire Woman", "Spiritwalker" e "Li' Devil" inspiraram coros emocionados, pulos de gente abraçada e copos erguidos no ar. As músicas novas ("Illuminated", "Dirty Little Rockstar") soaram enérgias ao vivo e ficaram bem ao lado dos hits. Nem a balada "Edie" diminuiu os ânimos e abriu espaço para isqueiros e celulares brilharem.

Encorajado por insistentes gritos de "olê, olê, Cultê, Cultê", Astbury agradeceu, conversou bastante, mandou beijos estalados e até tentou imitar o tal "olê". A saída para o bis aconteceu com o sucesso "Love Removal Machine", um dos grandes momentos da noite, que espalhou rodas por toda a platéia.

Só com isso, o retorno ao palco já seria caloroso, mas os hits "Love Removal Machine" e "She Sells Sanctuary" arrancaram até lágrimas dos fãs mais dedicados. Com uma recepção dessas, é certo que eles devem estar pensando que uma turnê anual pelo Brasil não seria má idéia.

O Cult toca nesta sexta-feira (10) em Brasília, no Iate Clube, repete a dose no sábado, em Fortaleza (Ceará Music Festival), e se despede dos brasileiros na segunda-feira, no Circo Voador, Rio de Janeiro. Veja o setlist do show na capital paulista:

"Nirvana"
"Rain"
"I Assassin"
"The Witch"
"Fire Woman"
"Edie (Ciao Baby)"
"Illuminated"
"Li' Devil"
"Horse Nation"
"Spiritwalker"
"Rise"
"Savages"
"The Phoenix"
"Dirty Little Rockstar"
"Wild Flower"
"Love Removal Machine"
Bis:
"Sweet Soul Sister"
"She Sells Sanctuary"

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