Teenage Fanclub: mistura perfeita de sujeira e melodia em SP

Escoceses fazem show inesquecível no Whisky Festival; Rio recebe banda nesta quinta-feira

Tiago Agostini, iG São Paulo |

Jorge Rosenberg / iG
Norman Blake, do Teenage Fanclub, em show em São Paulo
Norman Blake passou o final da noite de quarta-feira (11) sorrindo. Pudera: ao olhar para frente em cima do palco da The Week, o guitarrista da banda escocesa Teenage Fanclub via um séquito de devotos cantando praticamente todas as músicas do setlist. Por mais que a banda mantivesse na retina a lembrança dos shows de 2004 no país, com lotações esgotadas, era visível a alegria de saber que sete anos e dois discos se passaram e, mesmo assim, quase nada da mágica mudou.

Veja a galeria de fotos completa do show do Teenage Fanclub em São Paulo

Desde 2009 Norman mora no Canadá, longe de seus amigos e parceiros de banda (Raymond McGinley na guitarra, Gerard Love no baixo e Francis MacDonald na bateria). Antes do show em São Paulo, parte do Whisky Festival, Blake chegou a declarar que não reencontrava os amigos há meses. Os últimos shows da banda foram em dezembro. Não é de se espantar o sorriso no rosto do senhor de 45 anos, compartilhado pelos companheiros, como não acreditando no que via.

Passava da meia-noite quando os quatro subiram ao palco, mandaram "Start Again" e deram início à catarse. Por mais que o show tenha começado morno com mais duas belas músicas do último álbum, "Shadows", ("Sometimes I Don't Need To Believe in Anything" e "The Past"), a reverência da plateia frente aos mestres das melodias indies era irretocável. Nick Hornby, escritor inglês, disse em seu livro "31 Canções" que, se você possui "Rubber Soul", dos Beatles, em casa, "Songs From Northern Britain", álbum de 1997 do Teenage, é a "melhor guloseima que pode comprar a seguir". Como bons discípulos de John, Paul e George, Norman, Raymond e Gerard provaram que a comparação não é exagerada.

É verdade que, em estúdio, a banda perdeu a sujeira das guitarras distorcidas do início da carreira, mas ao vivo elas voltam, mesmo que tímidas em alguns momentos. "Star Sign", por exemplo, na metade da primeira parte do show, foi a senha para os pulos desenfreados que uniam velhos e novo fãs em pequenas rodas. "Your Love Is The Place Where I Come From", uma dessas músicas tão singelas que parecem ter sido compostas por anjos, foi como um último suspiro de calma. Logo a banda enfileiraria "Sparky's Dream" e "The Concept", dois de seus maiores hits, para encerrar a primeira parte e deixar todos sem voz.

"Sweet Days Waiting" e "My Uptight Life" surgiram na volta do bis para retomar o clima contemplativo do show, mas bastaram os primeiros acordes de "Neil Jung", incluída no setlist após os constantes pedidos dos fãs, para a explosão voltar. A derradeira "Everything Flows", primeiro single da banda, encerrou a noite com um longo solo à Neil Young, num duelo de guitarras entre Norman e Raymond. Em cerca de uma hora e meia que passaram voando, o Teenage Fanclub provou que é a mistura perfeita entre sujeira e melodia, capazes de tatuar na mente detalhes simples como o solo de assobio de "Mellow Doubt" ou o pa pa pa pa do vocal de "I Need Direction". Um show inesquecível.

Nesta quinta-feira (12), a banda se apresenta no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Os ingressos custam R$ 50 e podem ser comprados no site Ingresso.com .

Veja o setlist do show e, na sequência, vídeos das três primeiras músicas:

1 "Start Again"
2 "Sometimes I Don't Need to Believe in Anything"
3 "The Past"
4 "It's All In My Mind"
5 "Don't Look Back"
6 "Baby Lee"
7 "About You"
8 "Star Sign"
9 "I Don't Want Control of You"
10 "I Need Direction"
11 "Mellow Doubt"
12 "Your Love Is The Place Where I Come From"
13 "Ain't That Enough"
14 "When I Still Have Thee"
15 "Sparky's Dream"
16 "The Concept"

Bis

17 "Sweet Days Waiting"
18 "My Uptight Life"
19 "Neil Jung"
20 "Discolite"
21 "Everything Flows"

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