Tango e Mundo Livre S/A encerram El Mapa de Todos

O último dia do festival em Brasília provou que o evento veio para ficar e promover a integração da cena alternativa ibero-americana

Sergio Bazi |

Acordo Ortográfico

O Festival Ibero-Americano de Música Contemporânea El Mapa de Todos, que terminou na madrugada de domingo em Brasília, com animado show da banda pernambucana Mundo Livre S/A, disse a que veio: promover a integração com a cena alternativa ibero-americana.

A primeira edição do evento, realizada pelo Espaço Brasil Telecom, no Brasília Alvorada Hotel, apostou na diversidade da música alternativa de países ibero-americanos, além de Portugal e Espanha, e acertou em cheio. Assim, o que se viu durante três dias, em dois palcos, foi uma alentada visão panorâmica da música independente de sete paises.

Pela primeira vez puderam se apresentar no Brasil artistas da Argentina, Chile, Peru, Uruguai, Espanha e Portugal.  A revelação de grandes talentos ¿ incluindo a já veterana e cultuada banda portenha Babasónicos ¿ mostrou o quão distantes estamos da música de expressão ibérica. Daí porque o festival pode ser apontado como um dos poucos acontecimentos que de fato fazem jus à escolha de Brasília como a capital americana da cultura em 2008. O evento tem tudo para se consolidar como uma das maiores atrações do calendário musical brasiliense.

O evento, que também promoveu oficinas, lançamento de livros e debates, teve ainda o mérito de abrir caminho para novas bandas brasileiras, com o concurso realizado em parceria com o iG Música , que teve mais de cem inscrições de todo o país. 

A programação da última noite teve abertura de uma das duas bandas selecionadas, Instiga, de Campinas (SP), que, ao contrário do outro grupo vencedor, Facas Voadoras, de Campo Grande (MS), atração do segundo dia, não entusiasmou o público.

La Quimera del Tango, que se apresentou em seguida, recebeu a melhor acolhida do público de sábado ¿ depois, claro, do Mundo Livre S/A. Misturando um trio de violões tradicionais com instrumentos menos convencionais, como o serrote com arco e o cavaquinho, o grupo portenho introduz humor e elementos do cotidiano no sombrio universo temático e melódico do tango. E também moderniza a milonga, outro gênero típico da música argentina, sempre encontrando equilíbrio entre a tradição e a modernidade.

Já o eletropop de Javiera Mena, se não chegou a empolgar o público, também não desagradou a todos. A cantora e compositora chilena de 23 anos ¿ quatro de carreira ¿  tem bela voz, performance discreta e já se declarou fã dos Carpenters, Bee Gees, Stereolab e até da Xuxa. Pode soar descartável, mas não agride aos ouvidos nem à inteligência.

O rock oitentista ecoou na apresentação da espanhola Sr.Chinarro, a penúltima atração da noite. Formada no começo dos anos 90, a banda liderada por Antonio Duque não ganhou unanimidade do público, mas agradou a muitos com sua elegância e sonoridade cool que, embora remeta ao trabalho de bandas inglesas da década de 80 (como The Smiths, Cure e New Order), mostrou que tem personalidade e inegável consistência autoral.

Previsto para ser apresentado no foyer do Espaço Brasil Telecom, o show do Mundo Livre S/A acabou sendo transferido para o teatro, o que acabou ocasionando atraso de uma hora e meia. Mesmo assim, o público não desanimou e, já na primeira música do show, a maioria dos espectadores abandonou as poltronas para cair na dança, ao som da arretada banda pernambucana.

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