Slash: "No Brasil, só fiz caçar cobras e procurar por sexo"

Músico, que se apresenta nesta quarta-feira no Rio, diz que Jack White foi o 'último grande guitarrista do rock'

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Ex-guitarrista do Guns N' Roses, Slash, antes mesmo de aparecer - com a indefectível cartola - com quase duas horas de atraso para a entrevista coletiva em um hotel na zona sul do Rio, mandou o recado: não responderia a perguntas sobre uma possível volta do grupo que o tornou conhecido, tampouco falaria do desafeto Axl Rose. Pela primeira vez em uma turnê como artista solo, o músico se apresenta nesta quarta-feira (6 de abril), no Rio de Janeiro, na quinta, em São Paulo, e na sexta, em Curitiba. A turnê, que começou em 2010, se encerra no dia 12 de abril, na Argentina.

Slash chegou tranquilo e não se mostrou incomodado nem com a primeira pergunta, em referência ao uso de drogas descrito em sua biografia. "Estou bem, tem sido fácil. Já usei muito e, quando parei, percebi que já estava cheio disso", respondeu, para em seguida falar sobre o show do Guns N' Roses na segunda edição do Rock in Rio, em 1991, sua primeira vez no Brasil. "Obviamente foi uma experiência incrível tocar com o Guns aqui, como foram todas as vezes. Quer que eu elabore?", brincou o guitarrista. "É uma daquelas experiências que você nunca vai esquecer, mas foi um concerto, então você só lembra que foi uma grande concerto. Vou carregar para sempre a lembrança."

Show no Japão três dias após o terremoto
Apesar do terremoto seguido de tsunami que devastou o Japão em 11 de março, Slash tocou na cidade de Osaka no dia 14, cancelando os três shows seguintes em Tóquio e Yokohama. Ele contou, porém, que as apresentações não aconteceram pois os promotores disseram que não haveria meios de realizar o evento naquelas cidades. E tratou o caso como "adiamento", dando a entender que deverá voltar ao Japão.

"Não cancelamos os shows em Tóquio. Mas dava para fazer em Osaka, que era o primeiro. Tivemos de adiar os demais. Todo aquele evento foi um dos mais horríveis desastres naturais que estive perto, muita gente perdeu parentes, é um tempo sombrio em Tóquio. Mas se tivessem deixado, ainda teríamos tocado para tentar dar alguma alegria às pessoas. Mas havia a possibilidade de outros terremotos e não deixaram. Provavelmente isso foi esperto da parte deles", comentou.

Participação de artistas renomados no disco solo
O guitarrista falou sobre a participação de diversos nomes de peso no seu trabalho solo (o disco "Slash", lançado em março), entre eles Iggy Pop, Alice Cooper e Ozzy Osbourne, que se apresenta nesta quinta-feira, no Rio. "Provavelmente foram as sessões de gravação mais incríveis que já tive. Foi uma grande honra ter artistas como Ozzy, Alice, que ouço desde que criança", disse, antes de responder se poderia haver uma canja de Ozzy no show desta quarta à noite. "Ozzy e eu somos como máquinas, focamos em fazer o que temos de fazer, então ele está concentrado no seu show amanhã. Duvido que apareça no meu e eu também não devo aparecer no dele. Mas a banda está preparada caso o Ozzy apareça."

Slash descarta Corey Taylor (Slipknot) no Velvet Revolver
Ao comentar sobre a sucessão de Scott Weiland (Stone Temple Pilots) na sua banda, o Velvet Revolver, ele descartou o vocalista do Slipknot, Corey Taylor, como membro permanente do grupo. Apesar de Duff McKagan (baixista, ex-Guns N' Roses) ter confirmado a colaboração de Taylor, Slash afirmou que apenas foram feitos testes com o vocalista e que não há a possibilidade de ele assumir a posição. "É um grande boato. Chegamos a tentar, mas é só um rumor. Não será ele", disse Slash.

Desânimo com nova geração de guitarristas
Ele também não se mostrou animado com a pergunta sobre quem apontaria como um grande guitarrista na nova geração. Fez referência a Jack White, do White Stripes, e disse que percebe muitos guitarristas velozes e técnicos, mas considera que os anos 1990 foram muito mais generosos. "Essa é difícil. Jack White foi o último, não há muitos grandes guitarristas surgindo", comentou o músico.

Ele falou também sobre o trabalho com grandes vocalistas. Em nenhum momento, citou Axl Rose: "Cantores são como guitarristas, são todos diferentes. Não há necessariamente o melhor. Trabalhar com Ray Charles foi incrível, com Michael Jackson, Bob Dylan, Lenny Kravitz, eu não fazia ideia por exemplo de que Avril Lavigne era uma grande cantora, muito capaz. Recentemente, o Ozzy e Steven Tyler (Aerosmith) foram bem marcantes".

No Brasil, caça às cobras e busca por sexo
Slash disse não ter feito muita coisa no Brasil, quando esteve por aqui. Afirmou ter passado muito tempo no quarto do hotel. "A única coisa que fiz no Brasil além de pular de penhascos, praticar parasalling (uma espécie de para-quedas puxado por barco a motor) e mergulhar, foi caçar algumas cobras no mato e procurar por sexo, coisas desse tipo", brincou, sem segurar o riso. "Alguns anos atrás, fui em uma espécie de museu de répteis [o Instituto Butantan], que recentemente pegou fogo [houve um incêndio no instituto em março deste ano]."

Cartola "barata" resiste desde os anos 90
Sobre sua cartola, ele disse se tratar de um chapéu comum, barato, que fica caro porque manda cobrir com couro. "Tenho essa cartola desde os anos 1990, é a mesma do show de 1991. É um chapéu barato que você compra em qualquer lugar, mas coloquei couro e aí fica mais caro."

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