Silvio Brito deve rever carreira em show da Virada

Músico fala sobre a Virada Cultural, o rótulo brega e como deve ser o seu show

Redação iG Música |

Um dos palcos mais curiosos da Virada Cultural 2009 é sem dúvida o montado no Largo do Arouche. O espaço, apelidado por alguns de "palco brega", vai reunir nomes como Odair José, Wanderley Cardoso, Benito Di Paula, Wando e Reginaldo Rossi.

Junto deste time de artistas populares está o irreverente Silvio Brito, autor de sucessos como "Farofa" e "Tá Todo Mundo Louco", canções que caíram no gosto do público e permanecem até hoje no imaginário popular.

O músico conversou com o iG Música e falou sobre os demais artistas que participarão do evento, o problema com o rótulo brega e, principalmente, como deve ser o seu show.

Como você se sente escalado para tocar no mesmo palco que nomes como Odair José, Wanderley Cardoso e Reginaldo Rossi?

Já dividi o palco com Raul Seixas, Sivuca, Milton Nascimento, Paulo Coelho, Wagner Tiso, Fábio Jr, Moacyr Franco, Tonico e Tinoco e muitos outros. Com a mesma honra eu vou dividir o palco com o Benito di Paula, Luís Ayrão e todos os artistas que estarão lá no Arouche. Cada um expressando sua arte, são todos maravilhosos.

Você já teve algum contato com algum dos músicos que tocarão no Largo do Arouche?

Conheço todos eles, inclusive a maioria já foi cantar no meu programa, o Alleluya, que apresentava com o Fábio Jr na extinta TV Tupi.

O palco do Largo do Arouche ganhou o apelido de "palco brega". Você se incomoda com esse tipo de rótulo?

A palavra brega vem de um preconceito e todo preconceito vem de um complexo de inferioridade ou de superioridade, que é o mesmo complexo. Só a forma de manifestar que é diferente. Um finge que é inferior, o outro superior.

Na minha concepção brega é todo tipo de discriminação, todo tipo de exclusão, todo preconceito é brega. Brega é a fome, a miséria, as guerras, que vem também do preconceito, dos complexos e das discriminações.

Nunca vi alguém usar o termo brega para avaliar a evolução cultural de alguém.

Apesar de já passarem mais de duas décadas, sucessos como "Farofa" e "Tá Todo Mundo Louco" continuam hits. O que você acha quando vê o público jovem cantando suas canções?

É engraçado que esse público mais jovem não tem esses ranços que o público da década de 80 tem. Eles são desprovidos desses preconceitos, procurando a verdade independente do que foi massificado como bom ou ruim.

O conceito de bom ou ruim, de mau gosto ou não, ele é muito individual... Qual era o critério para avaliar uma pessoa brega ou não? No meu caso alguns achavam que era brega por causa das roupas, mas hoje em dia todo mundo usa - risos.

Acho que estamos bem acompanhados, pois todas as grandes figuras já foram rotulados de brega, artistas que marcaram gerações como o Roy Orbison, Roberto Carlos... E quando o artista atinge muito o povo, se consagra, as pessoas da elite costumam virar o nariz para não se misturar.

Hoje o mundo mudou muito. Acredito que não há mais lugar para esse tipo de postura.

Nos seus shows você costuma misturar as canções das diferentes fases da sua carreira, como as músicas italianas e espanholas. Essas canções farão parte do show da Virada Cultural?

Nesse show eu pretendo mostrar mais a minha obra. Estou completando 36 anos de carreira, com mais de 240 músicas gravadas, 30 discos, 5 deles discos de ouro, e eu tenho canções que serviram de inspiração para outros artistas como Raul Seixas, Milton Nascimento, Paulo Coelho... Sivuca gravou música minha... Fábio Jr, Wagner Tiso, Ronnie Von, tanta gente...

E nesse show eu pretendo mostrar essas canções que ficam um pouco esquecidas pelas músicas de sucesso. Às vezes não tenho a oportunidade de mostrar esse lado da minha carreira. Os sucessos eu vou fazer em forma de medley .

Você vai se apresentar às 11h30 do domingo, depois de uma madrugada inteira de shows. Você acha que o público vai estar meio que na ressaca?

Não sei rapaz, para mim é tudo novidade, é a primeira vez que eu participo. Meu horário foi mudado acho que umas três vezes - risos.

Os intelectuais, eles têm uma certa dificuldade em me situar no panorama. Sempre fui muito verdadeiro e muito autêntico, já mudei várias vezes a forma de trabalhar e isso acaba dificultando as pessoas em me situar no padrão estabelecido pelos formadores de opinião.

Mas acho essa dificuldade interessante. Eu sempre extrapolei. Meu primeiro sucesso foi uma antimúsica, sem rima, que assustou muita gente.

Meu padrão não segue um padrão. Cada hora é visto de uma maneira. Uma hora é gênio, outra hora é cult, depois não é mais cult... não segue um padrão estabelecido. Existem artistas que fazem trabalhos para serem reconhecidos só depois de mortos - risos.

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