Show de Damien Rice arrebata público paulistano

Com show de voz e violão, Damien Rice encantou o público paulistano

Ligia Helena |

Para quem esperava que o show de Damien Rice fosse triste, introspectivo e dramático como são suas canções, a primeira apresentação do cantor e compositor irlandês no Brasil foi uma agradável surpresa. Em um palco minimalista, com apenas algumas velas acesas e mais nada, Damien Rice entreteve a platéia por mais de duas horas à base de voz e violão, sem dar espaço para a melancolia.

Após um pequeno atraso justificado pela forte chuva que caia na cidade de São Paulo, Damien Rice entrou no palco sob aplausos e gritos de uma audiência ansiosa: os ingressos para sua apresentação estavam esgotados, e a casa de espetáculos abarrotada.

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O cantor optou por abrir o show com "The Professor & La Fille Danse" uma canção teoricamente menos conhecida, por tratar-se de um "lado b": uma música que não está presente em nenhum dos dois álbuns de Damien Rice. A recepção foi tão calorosa que não deixou dúvidas: o jogo estava ganho e, para os fãs, o show seria grandioso mesmo que triste e melancólico.

Mas antes mesmo de começar a tocar a quarta música, Damien Rice mostrou-se mais à vontade. E ao falar sobre sua fonte de inspiração para escrever "Amie", canção de seu primeiro álbum, revelou-se um grande entertainer ¿ contou uma longa história sobre amizade e amor, arrancou gargalhadas sinceras do público e deu um novo sentido à letra que diz "I saw a spaceship fly by your window / did you see it disappear?" ("Eu vi em sua janela uma nave espacial / você a viu desaparecer?", em uma tradução livre), já que ele de fato ficou a ver estrelas e o universo pela janela de sua amiga/amante.

E assim o show seguiu, com um setlist que equilibrou músicas dos dois álbuns, mais algumas raridades pedidas pelo público, como "Sand", e duas covers: uma de "Desafinado", de Newton Mendonça e Tom Jobim ¿ acompanhado por Max de Castro na guitarra; e a outra de "Hallelujah", clássico de Leonard Cohen, tocada com as luzes da casa de espetáculos completamente apagadas. Entre as canções, muita simpatia e conversas com a platéia, que em nenhum momento demonstrou cansaço ¿ nem mesmo quando Damien passava longos minutos afinando o violão.

Alguns momentos em especial merecem ser lembrados, especialmente porque serão os mais queridos por quem pôde estar no show. Em "Volcano", Damien Rice pediu o reforço da platéia para cantar a música, já que ele estava sozinho no palco. Em poucos segundos, mais de cem fãs subiram ao palco, e sentados em volta do irlandês, cantaram em uma espécie de coral improvisado.

Em "I Remember", transformou seu violão em instrumento de percussão, e após muito batuque, resolveu cantar a última estrofe no microfone do violão. "Cannonball" ganhou uma versão em voz e violão puros: com microfones e caixas de som desligados, a canção fez com que um silêncio solene tomasse conta do Citibank Hall.

No bis, após cantar "Desafinado" em um português quase perfeito e seu maior sucesso, "The Blower's Daughter", Damien convidou um rapaz e uma moça para subirem ao palco. Junto com eles, bebeu duas garrafas de vinho enquanto contava mais uma de suas histórias de decepção amorosa. Depois de tanto beber, levantou-se e cantou "Cheers Darlin'" sobre uma base pré-gravada. Despediu-se do público feliz ¿ prometeu até que em sua próxima vinda irá sambar ¿ e ansioso por sua apresentação beneficente em Florianópolis.

Veja o setlist da apresentação de Damien Rice em São Paulo:

"The Professor & la Fille Danse"
"Delicate"
"Sand"
"Amie"
"Woman Like a Man"
"Elephant"
"I Remember"
"Coconut Skins"
"Cold Water"
"Hallelujah"
"Volcano"
"Rootless Tree"
"Cannonball"

Bis
"Desafinado" (com Max de Castro)
"The Blower's Daughter"
"Cheers Darlin'"

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