No Recife, Amy Winehouse esquece a letra e cai no palco

Cantora chegou a discutir com a banda durante sua 4ª apresentação no Brasil

Hugo Montarroyos, especial para o iG | 14/01/2011 05:22

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Amy Winehouse fez na noite de quinta-feira (13), no Recife, aquele que talvez tenha sido seu pior show em solo brasileiro até agora. De começo arrebatador, parecia que seria antológico, mas tudo desandou na quarta música, quando esqueceu a letra de "Boulevard of My Broken Dreams", se embananou toda e teve de lançar mão de seu maior hit, "Rehab", já na quinta canção, com recepção fria do público.

Visivelmente sem condições de estar no palco, caiu, discutiu muito com a banda, enrolou bastante e sua apresentação foi só ladeira abaixo daí em diante. O público, que lotou as dependências do Pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco – estima-se que cerca de 14 mil pessoas passaram por lá –, reagiu de forma pálida à Amy, de longe, o pior dos três shows da noite.

E a maior parte dos presentes mal viu Amy. Quem pagou R$ 200 pela pista comum ficou muito longe do palco, com péssima visibilidade. Quem se dispôs a pagar R$ 300 foi tratado com um pouco mais de respeito na ala vip, e teve acesso à estrutura até que decente do festival, com boa qualidade de som – que costuma ser péssimo no Pavilhão – e palco impecável.

Um Thiago Lacerda super concentrado mal conseguia ver o show com sua namorada, tamanho era o assédio dos fãs. Alceu Valença, do camarote, distribuía sorrisos. Embaixo, o público se dividia entra o êxtase de alguns por ver Amy tão de perto e a frustração da grande maioria dos presentes com a performace dela.

Amy mostrou que ainda tem voz e talento, mas faltou fôlego, compromisso e respeito com seu público. Bebericando a cada canção um misterioso líquido de sua caneca, parecia não se segurar mais em pé a cada canção. Seu show foi ganhando contornos de dramalhão, com nítido clima de que qualquer coisa poderia acontecer, do mais sublime ao mais retunbante desastre, com maior tendência ao último.

A tragédia anunciada que foi seu show começou por volta de meia-noite e vinte, com a cantora surgindo em um vestidinho amarelo, com banda afiada e mandando muito bem uma sequência matadora de três músicas que parecia indicar um show perfeito: "Just Friends", "Back To Black" e "Tears Dry On Their Own". Quando tudo parecia bem, ela se enrola com a introdução de "Boulevard of My Broken Dreams ", troca as bolas, discute com a banda e resolve mandar "Rehab", sem que ninguém esperasse. Foi um fiasco.

Assista à queda de Amy Winehouse no palco

Daí em diante, nada deu certo para ela, que, assim como nos outros shows, novamente deixou o palco após a quinta música, deixando o pepino para a banda, para voltar para uma parte arrastada e muito chata. Não satisfeita, abandonou o palco de novo após tocar nove músicas, deixando a banda improvisar "O Pato", imortalizada por João Gilberto, em versão interminável em que cada um dos nove músicos foi apresentado.

Para completar o vexame, caiu no palco quando ensaiava passos acrobáticos de dança (assista ao vídeo ao lado). Deixou o show depois de quinze músicas e cerca de um hora e dez minutos de show. Voltou para o bis com "Boulevard of My Broken Dreams ", que errara no começo, e terminou com "Loving Is A Losing Game". O show dela pode ser resumido da seguinte forma: constrangedor e muito aquém do seu talento. Ou, para os mais radicais, muita vergonha alheia. Alguns saíram satisfeitíssimos do show. A maioria, porém, parecia frustrada.

Começo

A noite começou em nível muito elevado com o ótimo show de Mayer Hawthorne. Feliz da vida e acompanhado de excelente banda, abriu a apresentação com "Your Easy Lovin' Ain't Pleasin' Nothin'" , e teve como ponto alto "Maybe So Maybe No" e o final com "Just Ain't Gonna Work Out". Tocou por cerca de 47 minutos, e empolgou bastante com seu toque setentista que bebe na fonte do Jackson Five.

O melhor show da noite foi o de Janelle Monáe. Ancorada por um time excepcional de músicos, ela nem precisava abrir a boca para ganhar a plateia. Mas o fez, e sua apresentação foi impecável em todos os aspectos: produção, repertório, coreografia. Emocionou ao cantar "Smile", de Chaplin, mostrou presença de palco e excelente técnica vocal. Literalmente roubou a cena. Em dia de Amy Winehouse, a noite acabou sendo mesmo de Janelle Monaé. E com toda a justiça do mundo.

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