Show do Iron Maiden no Rio de Janeiro é adiado

Grades de proteção que separavam o público do palco cederam. "Vou pegar meu dinheiro e entrar na Justiça", relata fã

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro | 27/03/2011 23:05 - Atualizada em 28/03/2011 04:03

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Programado para este domingo às 20h30, no Rio de Janeiro, o segundo show que a banda Iron Maiden faria no Brasil teve de ser adiado por motivos de segurança. Quando a banda já estava no palco e tocava a música de abertura da sua apresentação, o vocalista Bruce Dickinson, visivelmente preocupado, interrompeu a canção devido à queda da grade de proteção que separa o público do palco, na HSBC Arena, na Barra da Tijuca (Zona Oeste). A organização do evento confirmou um novo show para esta segunda-feira, às 21h, no mesmo local.

Um comunicado oficial da organização afirma que a "banda naturalmente está consternada pelos fãs que não poderão comparecer na segunda-feira e promete um grande show para os que puderem comparecer". A justificativa oficial foi "problemas técnicos com a montagem da barricada em frente ao palco". Foi informado também que os comprovantes dos ingressos deste domingo valerão para o show desta segunda. Quem não puder ir na nova data deverá solicitar reembolso a partir do dia 4 de abril. Os que compraram ingressos na bilheteria da Arena e nos demais pontos de venda deverão se dirigir à bilheteria com os comprovantes dos tickets a partir desta data. A organização informou ainda que para compras feitas através do call center e da internet o contato para solicitar o ressarcimento é o e-mail sac@livepass.com.br ou o telefone 4003-1527.

Show interrompido na abertura

Após uma apresentação morna da banda Shadowside, com cenário composto por banners, a pista premiu lotou. Estava chegando o momento da atração principal depois de muitos enfrentarem longas filas antes de entrar na arena adaptada para o show. Logo nos primeiros acordes de "Satelite 15...The final frontier" (do disco que motiva a turnê, "The final frontier", lançado em 2010), o vocalista Bruce Dickinson pediu para o público da pista premiu recuar dois passos. "Temos um problema aqui, as pessoas podem se machucar", alertou, fazendo gestos como se empurrasse o ar com a mão e um olhar fixo na barreira que cedeu.

Apesar da plateia ter aparentemente recuado, a banda, que continuou por alguns minutos uma espécie de "loop" da base da música, parou de tocar logo depois. "Vamos parar por dez minutos para que possam consertar (a grade) e a gente volta", disse Dickinson. Após 45 minutos e algumas idas e vindas de pessoas do staff da banda, a promessa foi cumprida. Apenas o vocalista voltou ao palco, acompanhado de uma pessoa da organização para avisar que o show seria adiado.

Bruce Dickinson: "Eu sei que é uma droga"

"A nossa preocupação é para que ninguém se machuque, isso é o mais importante. Infelizmente não poderemos tocar porque a estrutura aqui da frente está comprometida, mas tocaremos amanhã, está bem?", disse Dickinson, o único respeitado pelas vaias e xingamentos dirigidos, em maioria, aos organizadores que estavam no palco. "I know it sucks (Eu sei que é uma droga)", disse o vocalista que, entre um misto de vaias e gritos de "Iron Maiden", ele pediu calma para que o público não quebrasse as dependências do local. "Se fizerem isso vão nos colocar para correr e não poderemos tocar amanhã (segunda)", completou.

Apesar do claro descontentamento com a organização do evento, os fãs deixaram o show sem partir para a violência, conforme a reportagem do iG que estava no local pode observar. No Twitter, relatos de fatos isolados, como parte do teto de um dos setores que teria sido quebrado pelos fãs mais exaltados. Depois de evacuada a HSBC Arena, alguns técnicos e pessoal da organização vistoriavam a grade avariada. As placas de metal estavam com amarras de plástico e algumas tinham partes retorcidas. A reportagem do iG ouviu uma conversa informal entre os técnicos, observando que o problema foi com parafusos que deveriam prender a base das placas ao chão. Sem esse reforço, os parafusos da parte de cima não teriam resistido, permitindo que a cerca avançasse e, por fim, cedesse.

Jovem ficou com escoriações por conta da grade que cedeu

A saída da multidão cabisbaixa traçava um roteiro de frustração para quem veio de longe ver o Iron Maiden. Caso do estudante Vítor do Rosário, de 18 anos. Ele disse ter vindo do Espírito Santo e chegado ao local às 6h30 de domingo, antes de mostrar as escoriações pelos empurrões contra a grade que causou o adiamento do show. Segundo o jovem, as placas estavam amarradas e balançavam desde a introdução.

"Estava lá na grade mesmo. O joelho e a barriga ficaram marcados. Na introdução já estava tudo tremendo. A gente avisou aos guardas e começaram a tentar segurar, mas quando começou a 'Final frontier' não deu, todo mundo empurrou e a grade caiu. As placas estavam amarradas com algum tipo de corda, estavam bambas. Estou indo embora, sou do Espírito Santo, vim só para isso. Gastei R$ 400 com ingresso e passagem, e trouxe mais R$ 400 em dinheiro", disse o fã que, indagado se entraria na Justiça contra a organização, pareceu nem estar preocupado com isso naquele momento. "Não sei, nem sei o que fazer, só quero ir embora. Cheguei 6h30 da manhã, saí do Espírito Santo às 22h15 de sábado. Ficamos sentados ali esperando, tirando fotos, conversando. Havia 11 pessoas na frente. Seria o meu primeiro show do Iron Maiden, escuto há 12 anos. Fazer o que, a próxima eu venho".

Fãs mais exaltados queimam camisa da banda

Além dos resignados, também havia gente revoltada, e não apenas com a organização. Saulo Lima, 29 anos, de Juiz de Fora (MG), se encaixa neste perfil. "Sou médico, troquei plantão para estar aqui hoje. Levei entre 1h30, 2h para conseguir entrar. Estava lá na frente. O cara mandou a gente andar para trás, ele tinha razão porque as grades estavam amarradas com fita de plástico, não estavam soldadas. Cancelou por medida de segurança, mas se fosse realmente do metal, teria tocado. Amanhã todo mundo trabalha. Nunca mais. Estou com raiva dos dois juntos, da banda e da organização. Vou ver o show do Metallica no Rock in Rio. O metal não morre aqui, apenas o Iron Maiden está morrendo aqui agora para mim", esbravejou.

Perto dali, pai e filho também mostravam frustração. Carlos Alexandre, atuário, 40 anos, "É um absurdo isso, já vim a vários shows, fui a três do Iron Maiden, e nunca vi uma desorganização assim desde a entrada. Quando começou a gente viu que estava estranho. Amanhã (segunda) é dia de trânsito, acho que não conseguirei vir. Vou recorrer à Justiça", disse. Seu filho, João Pedro, de 12 anos, veria pela primeira vez um show da banda. O pai é fã e tenta repassar a idolatria ao garoto. "É a minha primeira vez, fiquei decepcionado, porque não pude ver o show completo. Eu ouço junto com meu pai. Foi muito desorganizado, mas com certeza ainda quero ver um show. Amanhã não dá".

Paulo de Tarso, médico de 40 anos, que acompanhava Carlos e João Pedro, também dizia que entraria com ação judicial contra os organizadores. Eles estavam no setor de cadeiras. "Foram 2h de fila, muita desorganização, ninguém sabia qual era fila, o que era, o que não era. Nunca vi nada igual. Não posso vir amanhã (segunda), vou pegar o meu dinheiro de volta e entrar na Justiça. Foi um absurdo. A sorte é que o público de heavy metal é muito ordeiro, vem para curtir o show. Se é de uma outra banda, já tinham quebrado tudo, teria morrido gente aqui dentro. Não tinha condição, na hora que começassem a tocar 'The trooper' o pessoal ia se empolgar e não teria como segurar. Nunca vi um amadorismo desse, nem em churrasco se faz desse jeito".

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