Sem química, a-ha faz show morno em SP

Show do trio norueguês é marcado por baladas e músicas inéditas

Juliana Zambelo |

Os fãs do a-ha que foram ao Credicard Hall nesta quarta-feira esperando um divertido show de hits se deram mal. A única apresentação do trio norueguês na capital paulista após sete anos longe do país teve um bom número de sucessos, mas deixou de fora faixas essenciais e ficou marcado pela grande quantidade de baladas e músicas inéditas incluídas no repertório.

Com ingressos esgotados há dias, a banda subiu ao palco de forma tão desanimada que o jogo, logo de saída, parecia comprometido. O vocalista Morten Harket, o tecladista Magne Furuholmen e o guitarrista Paul Waaktaar-Savoy vieram acompanhados de um baterista e um quinto integrante para cuidar de dois laptops, todos formando uma banda fria que parecia presa às suas marcas e pouco interagiu entre si ou com a plateia.

Living a Boy's Adventure Tale, de 1985, abriu a apresentação. As também antigas "The Blood That Moves the Body" (1988) e Cry Wolf (1986) vieram logo depois esquentando o público e foram logo seguidas por "I've Been Losing You" e "Manhattan Skyline".

Riding the Crest foi apresentada por Furuholmen como uma das faixas que farão parte do novo álbum do a-ha, previsto para sair em junho. Vocês serão os primeiros a ouvir essa música, mentiu o tecladista (a faixa já foi tocada em outras apresentações da banda). À música com pesadas batidas eletrônicas de forte cunho oitentista o público reagiu com educação. Mesma paciência oferecida à segunda música nova, a balada Shadow Side. Tudo recompensado por um set acústico que trouxe a bela Hunting High and Low em versão com apenas voz, teclado e violão. No telão, isqueiros se acenderam para acompanhar o momento intimista.

O vocalista Morten Harket, ladrão de corações há três décadas, chegou aos 50 anos em forma e sabe disso, então passa o show inteiro fazendo pose de galã. Sua voz única vai do grave ao falsete quase sem prejuízo do início ao fim do show, mas sua performance é nula e sua química com a plateia, inexistente.

Ainda mais apagada que a primeira, a segunda metade do show trouxe mais uma canção nova, sucessos menores e teve como pontos altos as lentas Stay on These Roads, em ótima interpretação de Harket, e Crying in the Rain, ambas bastante aplaudidas. Nas cadeiras e nos mezaninos, o público permanecia sentado.

O melhor da noite ficou para o bis, que reservou The Sun Always Shines on T.V. e foi encerrado por Take on Me. A reação alegre dos fãs e o ar de descontração que tomou conta do Credicard Hall enquanto o a-ha executava seu maior hit deixaram claro toda a diversão que o show poderia ter sido e não foi. Para fazer a noite valer a pena, bastava a banda ter optado por uma performance mais leve e generosa. You Are the One e Touchy!, outros dois grandes sucessos do repertório do trio que teriam feito a felicidade das seis mil pessoas presentes, não foram tocadas.

O a-ha encerra sua passagem pelo Brasil no Rio de Janeiro nesta quinta-feira. O show será realizado no Citibank Hall e ainda há ingressos à venda.

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