Segunda noite do Abril Pro Rock tem dez horas de música

Juliana Zambelo |

O festival Abril Pro Rock parecia correr contra o tempo. Como se tentasse bater algum tipo de recorde, a segunda noite do evento colocou 15 bandas para tocar em 10 horas, divididas entre os três palcos em uma maratona ininterrupta de rock cheia de altos e baixos, mas sustentada por um público quase sempre disposto e interessado.

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A escalação mais leve no sábado, puxada principalmente pelo indie rock, atraiu ao Chevrolet Hall em Recife um público maior e mais diverso do que o registrado na noite anterior, dedicada ao hardcore e ao punk rock . Prova disso foi a maior presença feminina, tanto na platéia quanto em cima dos palcos. A segurança teve menos trabalho e aprovou a tranqüilidade, aproveitando para dar espiadelas nos shows.

E como na noite anterior, as grandes apresentações ficaram a cargo dos veteranos. Lobão, que fechou a maratona, o gaúcho Wander Wildner e os Autoramas levantaram o público e não deram trégua para os preguiçosos com performances vibrantes, impecáveis. Já a única atração internacional do dia, os neo-zelandeses do Datsuns, pesaram a mão nas guitarras mas não conseguiram garantir as atenções do público fazendo, com folga, o show mais desprestigiado do palco principal em todo o evento.

Lobão veio para fechar a noite com seu show acústico. Subiu ao palco às três da manhã dando bom dia aos numerosos sobreviventes e, sem muita conversa e sem levantar do banquinho, botou sua banda afinada para tocar alto, com violões amplificados, clássicos de seu repertório e as suas (ótimas) composições mais recentes. Ao som de Me Chama, Vida Louca Vida, Decadence avec Elegance e Essa Noite Não, o público cantou e dançou por cerca de uma hora sobre um chão coberto de latinhas e garrafas de água vazias.

Empatado com o carioca como ponto alto da noite vem Wander Wildner. Estreando um novo show e um novo personagem (o Gonzo), Wander tocou músicas novas e passeou por território alheio. Tocou Amigo Punk, dos também gaúchos da Graforréia Xilarmônica, e fez uma versão barulhenta de Retalhos de Cetim, de Benito di Paula, mas foi com seus próprios hits - Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo, Hippie-Punk-Rajneesh, Mantra das Possibilidades - que botou fogo na platéia. E quando o sorriso já estava colado no rosto do público e parecia que não tinha mais como melhorar, Wander fez subir ao palco músicos de Olinda. Com eles, reinventou em ritmo de frevo seus dois maiores sucessos e fez um carnaval com Bebendo Vinho e Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro. Um show para não se esquecer tão cedo.

Os Autoramas não prepararam nada de especial para o Abril Pro Rock. Fizeram o show divertido de sempre com o palco e o equipamento que merecem. Com a estrutura adequada, seu rock com influências de surf music e letras ganchudas se tornou ainda mais irresistível.

Decepções 

O Datsuns, banda irrelevante em esfera mundial, toca certinho. Mostrou seu garage rock sem novidades com competência e muita simpatia, abusou dos riffs e solos de guitarras mas não saiu do feijão com arroz e serviu como ¿ finalmente ¿ uma boa hora para descansar o corpo nos degraus da casa.

O Violins, de Goiânia, tem alguns dos melhores álbuns do rock nacional dos últimos anos, mas fez um show frio. Focados nos dois últimos álbuns, os meninos deixaram de lado seus trabalhos anteriores não cedendo aos pedidos do público. Para piorar, a apresentação que já era curta demais foi atrapalhada por uma corda de guitarra quebrada que levou vários minutos para ser substituída.

Júpiter Maçã parecia assustado. Veio apresentar seu álbum Uma Tarde na Fruteira , lançado este mês, e durante todo o show alternou entre o rock empolgado e o lisérgico soporífero, uma espécie de morde-e-assopra. Seu show foi salvo pela banda que o acompanhou, um power trio bem azeitado. No final, Um Lugar do Caralho acordou o Chevrolet Hall e ficou tudo bem.

Novos Talentos?

A revelação de novos nomes do cenário independente nacional, um dos pontos fortes da história do Abril Pro Rock, falhou este ano. Nos palcos menoes, as melhores performances vieram de bandas já consolidadas no circuito indie, como Superguidis e Pata de Elefante. O Sweet Fanny Adams, banda de Pernambuco que faz a linha do novo rock, mostrou que é bom de presença de palco, mas ainda precisa melhorar as composições. Já o Barbiekill, grupo bastante jovem do Rio Grande do Norte, tenta ser o novo Bonde do Rolê emulando sua mistura de funk carioca com letras engraçadinhas e tentativas de chocar e provocar. Seu principal trunfo é uma baixista bonita. Pode fazer sucesso.

A exceção à falta de criatividade foi o menino Vítor Araújo. Com apenas 18 anos, o pernambucano domina o piano tentando unir o popular e o erudito. Som baixo, muita conversa e pedidos mal criados para que tocasse rock and roll, contudo, tornaram as coisas mais difíceis para o garoto.

O Abril Pro Rock continua no próximo dia 27 com os shows de Gamma Ray e Helloween.

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