RPM aposta alto em cenário e músicas inéditas em novo show

Público que lotou o Credicard Hall, no entanto, só queria saber dos sucessos dos anos 1980

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Jorge Rosenberg / iG
O vocalista Paulo Ricardo durante a apresentação do RPM em São Paulo
Ambição é o que não falta neste novo - o quinto - retorno do RPM. A banda, maior sucesso do rock brasileiro dos anos 1980, subiu nesta sexta-feira ao palco do Credicard Hall, em São Paulo, para estrear a turnê "Elektra", mesmo nome do álbum que o grupo pretende lançar na metade do ano. O quarteto investiu pesado na produção do show: estruturas de metal que se movimentam compõem o cenário e em alguns momentos um telão transparente projeta imagens na frente do palco. Para a direção do espetáculo, foi contratado o experiente diretor teatral Ulysses Cruz.

Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni também foram ambiciosos na escolha do repertório do show - pelo menos no início da noite. Abriram a apresentação com duas músicas do novo disco, "Muito Tudo" e "Dois Olhos Verdes". As duas faixas lembraram muito o som de bandas como o Killers, que na última década fizeram bastante sucesso se inspirando no rock e no pop dos anos 1980. Foi uma tentativa clara do RPM de soar mais "moderno", mas sem perder as suas características.

Jorge Rosenberg / iG
O grupo RPM: hits empolgaram o público
O problema é que o público que lotou o Credicard Hall não queria saber de novidades e só se empolgou na quinta música, "Louras Geladas", o primeiro clássico da noite. Foi assim a apresentação inteira: apatia não apenas em todas as canções inéditas, mas também em canções das outras voltas do RPM (nem "Vida Real", música tema do programa Big Brother Brasil, empolgou) e lados B oitentistas. O grupo pelo menos foi sábio em guardar os maiores sucessos para a reta final do show.

Foi uma sequência que fez todos se levantarem das cadeiras. Começou com as engajadas "Revoluções por Minuto" e "Alvorada Voraz" e pegou fogo mesmo com "Rádio Pirata" (intercalada com trechos de "Light My Fire" do The Doors, "You Can't Always Get What You Want" dos Rolling Stones, "All You Need Is Love dos Beatles e até "Use Somebody", do Kings of Leon) e a obrigatória "Olhar 43". O bis, em compensação, foi um balde de água fria: as inéditas "Crepúsculo" e "Dois Olhos Verdes" (tocada de novo) serviram só de trilha sonora para o público deixar a casa.

No miolo da apresentação, houve ainda dois momentos que empolgaram a plateia: "A Cruz e a Espada", dedicada a Renato Russo (em compensação, "Exagerado", dedicada a Cazuza, veio numa versão constrangedora); e "London, London", que Paulo Ricardo cantou pendurado numa das estruturas de metal que compunham o cenário. O cantor, aliás, não perdeu a pose de símbolo sexual com o passar dos anos: continua arrancando gritos de "lindo!" toda vez que grita um de seus característicos "au!".

Veja abaixo o repertório do show:

01. "Muito Tudo"
02. "Dois Olhos Verdes"
03. "Vida Real"
04. "Rainha"
05. "Louras Geladas"
06. "A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade"
07. "Juvenília"
08. "Liberdade/Guerra Fria"
09. "A Cruz e a Espada"
10. "Exagerado"
11. "Onde Está o Meu Amor?"
12. "London, London"
13. "Flores Astrais"
14. "Ela É Demais (Pra Mim)"
15. "Revoluções por Minuto"
16. "Alvorada Voraz"
17. "Rádio Pirata"
18. "Olhar 43"

Bis

19. "Crepúsculo"
20. "Dois Olhos Verdes"

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