Rock direto do Arctic Monkeys e viagem sonora de Björk abrem Lollapalooza Chile

Santiago recebeu neste sábado (31) artistas que tocarão no Brasil nos próximos dias; saiba como foram os shows

Augusto Gomes, enviado a Santiago |

A cidade de Santiago, no Chile, recebeu neste sábado (31) uma série de shows que vão chegar ao Brasil nos próximos dias. Entre eles, a banda britânica Arctic Monkeys e a cantora islandesa Björk. Os dois foram os principais nomes da edição local do festival Lollapalooza , realizada no parque O'Higgins, próximo do centro da capital chilena. O evento ainda teve atrações como Cage the Elephant, Thievery Corporation e Gogol Bordello.

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Registro do palco da versão chilena do festival Lollapalooza neste sábado (31/03)
Os dois destaques da noite fizeram apresentações bem diferentes. Enquanto o Arctic Monkeys apostou em seu rock simples, direto e despretensioso, Björk foi pelo lado da sutileza e da estranheza e não teve medo de ousar nem na escolha do repertório nem nos arranjos. Placar final: o show dos Arctic Monkeys foi energético e divertido, mas ficou pequeno quando comparado à viagem sonora de Björk.

O público brasileiro poderá ver os dois ao vivo em breve. O Arctic Monkeys toca em São Paulo já no próximo final de semana, na edição nacional do Lollapalooza. Já Björk será a única das grandes atrações da versão chilena do evento a não se apresentar na versão brasileira. Isso porque ela já estava escalada para outro festival, o Sónar , que acontece em maio, também em São Paulo.

Arctic Monkeys

Apesar de Björk ter sido a escolhida para encerrar o primeira dia do Lollapalooza chileno, os grandes favoritos da plateia eram o Arctic Monkeys. A banda não apenas reuniu o maior público da noite como também teve os fãs mais barulhentos. Mas apenas os mais fanáticos conseguiram se empolgar com as canções do disco mais recente do grupo, "Suck It and See", lançado no ano passado. Os demais só se animaram mesmo nas músicas mais antigas.

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Os integrantes do Arctic Monkeys durante sua apresentação no Lollapalooza Chile
O início do show resumiu o que aconteceria no restante da performance. Após subir ao palco ao som do clássico da disco music "That's the Way I Like It", do KC and the Sunshine Band, Alex Turner e companhia tocaram a recente "Don't Sit Down 'cause I've Moved your Chair". Foram aplaudidos, é claro. Mas nada perto da comoção causada pela música seguinte, "Teddy Picker", um dos sucessos do disco "Favourite Worst Nightmare", de 2007.

O padrão se repetiu: apatia durante as novidades de "Suck It and See", empolgação com as já clássicas canções dos dois primeiros álbuns. Felizmente, o repertório teve várias delas. Do disco de estreia ("Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", de 2006) vieram "The View from the Afternoon", "I Bet You Look Good on the Dancefloor", "Still Take You Home" e "When the Sun Goes Down".

Jogo das guitarras: Acerte o nome do músico de cada instrumento

De "Favourite Worst Nightmare", foram sete: "Teddy Picker", "Brianstorm", "This House is a Circus", "If You Were There Beware" e, no bis, "Fluorescent Adolescent" e "505". Mais do que as cinco do recente "Suck It and See", sinal que a banda tem mais fé nas canções antigas que nas novas. O repertório foi completado com duas músicas do álbum "Humbug", de 2009, e mais duas que saíram apenas em single, "Evil Twin" e a novíssima "R U Mine?".

Björk

Björk, pelo contrário, não teve medo de apostar todas as suas fichas em seu trabalho mais recente, "Biophilia", lançado também no ano passado. E, quando cantou buscou músicas mais antigas, passou longe de seus grandes sucessos - nada de "Hyperballad", "Human Behaviour" ou "Bachelorette" dessa vez. Mas, de novo ao contrário do Arctic Monkeys, as novidades estiveram entre os pontos altos da apresentação.

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Nesta turnê, a islandesa sobe ao palco acompanhada de um coral de uma dúzia de cantoras. Um percussionista e um músico responsável pelas bases eletrônicos completam a original formação. Original também é o visual de Björk, cujo ponto alto é uma gigantesca peruca laranja. E original - para não dizer única - é sua música: às vezes etérea, sem refrões ou melodias fáceis; às vezes energética e barulhenta; às vezes tudo isso ao mesmo tempo.

Desde o início com "Cosmogony", deu para perceber que o público chileno estava disposto a embarcar na viagem de Björk. Acompanhou um silêncio as músicas mais lentas ("Hollow", "Virus"), aprovou os novos arranjos das canções antigas (caso de uma sensacional "One Day" só com voz e percussão) e, no final, pulou quando o show ficou pesado e dançante, no bloco que enfileirou "Mutual Core", "Nattúra", "Pluto" e "Declare Independence".

A cantora ainda voltou para um rápido bis. Dessa vez, fez uma concessão: tocou "Army of Me", sucesso de 1995, num arranjo bem próximo do original. A plateia ainda esperou que ela voltasse ao palco (Björk havia dito que aquele era apenas o bis número um), mas isso não aconteceu. O primeiro dia do Lollapalooza chileno estava terminado. Neste domingo, o festival continua. A principal atração é a banda americana Foo Fighters.

O festival

Björk e Arctic Monkeys foram os dois grandes nomes do primeiro dia do Lollapalooza chileno, mas não foram os únicos. O festival começou por volta do meio dia, reunindo dezenas de atrações divididas nos cinco palcos montados no parque O'Higgins. Entre esses nomes da "parte diurna" do evento, o destaque foi o Cage the Elephant.

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O vocalista Matthew Schultz, do Cage the Elephant, no Lollapalooza Chile
O grupo americano faz um rock retrô sem muita originalidade, mas se destaca por causa da energia. O vocalista Matthew Schultz é daqueles que não fica quieto um segundo sequer - ele inclusive pulou sobre a plateia e foi cantar no meio do público. Outro fator contagiante: a banda inteira parece estar se divertindo, e muito, no palco.

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No geral, é um festival bastante organizado. Praticamente não houve atrasos, e o fato de haver dois palcos principais, um quase ao lado do outro, fez com que os intervalos entre os shows fossem de poucos minutos (às vezes, poucos segundos) - enquanto uma banda tocava num palco, o outro era montado. Às onze da noite, tudo estava terminado, a tempo do público voltar para casa de ônibus ou metrô.

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Público durante o Lollapalooza Chile
O som, em compensação, foi um problema. Nas apresentações da tarde, ele estava muito baixo, tanto que alguém só poderia ouvir as músicas com clareza se ficasse posiciado em frente a uma caixa de som. Nos shows de Arctic Monkeys e Björk, o volume aumentou, mas mesmo assim ficou muito abaixo do que se ouve em festivais desse mesmo porte.

Outro problema foram os telões dos palcos principais, muito pequenos e com baixa definição de imagem. Quem não conseguia chegar perto do palco também não podia ver muita coisa neles. Eles prejudicaram especialmente o show de Björk, tirando o impacto das belas imagens baseadas nos aplicativos para iPad do disco "Biophilia" que eram projetadas no fundo e nas laterais do palco.

As filas para comprar comida e bebida e para ir ao banheiro, se comparadas a outros grandes festivais, foram pequenas. Também havia espaço de sobra para sentar e até deitar na grama entre um show e outro. O evento ocupou quase toda a área do parque O'Higgins, uma das maiores áreas verdes da capital chilena.

Além dos dois palcos principais, houve ainda três palcos secundários. Com exceção do Kidzpalooza, espaço com shows para o público infantil que foi sucesso entre pais e filhos, os demais palcos receberam poucas pessoas.

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A programação deste domingo do Lollapalooza chileno terá, além do Foo Fighters, nomes como TV on the Radio, MGMT, Joan Jett, Friendly Fires, Foster the People, Skrillex, Band of Horses e Peaches, entre outros.

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