Roberta Sá e Tom Zé dominam homenagem à Tropicália em São Paulo

Marco Tomazzoni |

Os 40 anos da Tropicália podem ter sido comemorados no ano passado, mas os ventos da trupe liderada por Caetano Veloso e Gilberto Gil sopraram da noite da sexta-feira até o final da tarde de ontem no Teatro do Sesc Pompéia. O projeto Era Iluminada proporcionou três shows com direção musical de Lucas Santtana e performances de Isaar França, Roberta Sá, Júpiter Maçã e Tom Zé. Aqui, mais do que homenagear, o que se viu foi a novidade, como bem reza a cartilha tropicalista.

O grande responsável por isso foi Santtana e sua grande banda, a Seleção Natural ¿ uma verdadeira constelação da música independente nacional ¿, que desconstruíram as conhecidas músicas do movimento com arranjos novos, um meio termo entre o samba e o rock. Uma espécie de samba-rock quebrado, pontuado pela malemolência da bateria de Curumin, pela estranheza do moog, teclados e sintetizadores do gaúcho Astronauta Pingüim e pela dupla nos metais (Guizado no trompete, Maurício Zacarias no trombone).

A estréia, na sexta-feira, teve casa cheia e um público generoso com os artistas. Cicerone, Santtana abriu a noite com Go Back, do poeta Torquato Neto, e permaneceu o tempo inteiro no palco, comandando a banda ao lado de duas grandes palmeiras de neon. Em seguida, Isaar, primeira convidada a aparecer, teve a responsabilidade de apresentar Tropicália e Panis et Circenses. Bastante nervosa, foi apenas competente.

Roberta Sá preencheu o vazio do teatro com sua voz potente e uma presença de palco arrebatadora. Desenvolta, microfone na mão, brilhou em Coração Vagabundo, Baby e Ando Meio Desligado, proporcionando os momentos mais belos da noite. Em um contraponto extremo, Flávio Basso, o Júpiter Maçã, veio na seqüência. Um dos grandes nomes do rock nacional dos anos 1990, o roqueiro gaúcho cantou A Marchinha Psicótica do Dr. Soup, uma das faixas mais conhecidas de seu último disco, justamente pelas referências ao tropicalismo. Sem camisa, vestindo calça justa e casaco felpudo, errou a letra e o tempo. Apesar do programa do espetáculo prever mais duas músicas, se limitou a rebolar e fazer uma improvisação enquanto Lucas cantava País Tropical. Sobrou pose, faltou comprometimento.

Para fechar a noite, o grande astro do show. Do alto de seus 71 anos, Tom Zé esbanjou disposição e bom humor. Também sem camisa, usando um paletó estampado com nuvens, o tropicalista veterano por excelência fez tudo menos um show comportado. Trocou de microfone com Lucas, mudou a letra de 2001 para homenagear David Byrne, que o relançou na década passada (aquele americano que não sabe nada de música brasileira foi quem desenterrou esse problema) e não se importou muito para ser fiel ao cantar Nave Maria e a excepcional Tô, do clássico Estudando o Samba . Por fim, no bis, quando todos os convidados subiram no palco, Tom não quis saber e dominou sozinho Parque Industrial. Ninguém pareceu se importar; ele, a gente deixa.

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