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Rita Lee usa hits e humor para alegrar o PicNic em São Paulo

Marco Tomazzoni |

Demorou quatro anos para Rita Lee voltar aos palcos de São Paulo. Depois da turnê de Balacobaco , em 2004, a cantora se recolheu em seu lar nos arredores da capital e só saiu da toca no ano passado, para promover a caixa autobiográfica Biograffiti . Com o pretexto de comemorar os 40 anos de carreira e 60 de idade, Rita montou o espetáculo PicNic, que está viajando pelo país. Amparada por sucessos, não foi muito difícil para a roqueira conquistar a platéia lotada do HSBC Brasil, ontem à noite.

Assista a trechos do show de Rita Lee

Logo após a abertura das cortinas, Rita já atacou de Flagra, que já faz parte do inconsciente coletivo nacional. Uma pausa para assoar o nariz ¿ sim, ela estava gripada ¿ e lá veio outro clássico, Nem luxo, nem lixo. Entretenimento garantido, com o pacote Lee completo: Rita com o cabelo vermelho e os óculos de lente colorida que viraram sua marca registrada, o marido Roberto de Carvalho na guitarra e, a seu lado, o filho Beto, o pai de sua neta, como a cantora fez questão de lembrar.

Só aí chegou a hora de conversar com o público, sentado com conforto nas mesas e cadeiras, mas devidamente aquecido. Rita, então, passou a encarnar a personagem que escolheu para essa turnê, a de vovó reclamona. Agradeceu a todos por terem vindo e desafiarem os buracos de metrô pelo caminho, além de bater mais uma vez na tecla de que paga para não sair de casa. Ao longo da noite, seu lado crítico abrandou um pouco, não sem antes fazer graça com Dilma Roussef e o tal dossiê dos gastos do governo FHC.

O lado rock n roll, por outro lado, permaneceu ligado alto nos amplificadores. Ao passear por Jardins da Babilônia, a nova Tão (uma homenagem aos chatos, segundo ela) e o hino Ovelha Negra, amparado por imagens de toda sua carreira no telão (em geral mal aproveitado), Rita contou com os solos inspirados de Roberto, que, nos melhores momentos, encarnava um espírito hard rock de respeito.

Mas essa não foi a tônica de todo o show, freqüentado por um público heterogêneo que ia de crianças e jovens a adultos de cabelos brancos e senhoras prontas para uma recepção de gala. Para contentar a todos, estavam lá no repertório as famigeradas trilhas de novela, caso dos sucessos recentes Amor e sexo, Erva venenosa, e a inspiradíssima Vítima, tema de A Próxima Vítima (1995) ¿ clima sombrio, teclados oitentistas e Rita trajando um sobretudo misterioso.

Os figurinos, aliás, eram alternados de tempos em tempos, mais para acentuar os números cômicos bolados por essa roqueira debochada. Sim, porque não haveria motivo para incluir no show Vingativa, das Frenéticas, cantada ao lado das backing vocals, e O bode e a cabra, versão forró para I wanna hold your hand (não incluída em seu tributo aos Beatles, Aqui, Ali, em Qualquer Lugar , porque a japonesa não deixou), se não para tirar sarro.

E Rita estava mesmo inspirada. Assumindo o papel de humorista em frente à platéia, vestiu uma peruca black power, sotaque paulistano e mandou ver um monólogo (se este ano for metade do filme de horror do ano passado, tamo fudido) antes de comandar a boa Corre corre, de levada soul e baixo em evidência. À primeira vista, quem vê uma senhora de 60 anos usando uma peruca enorme ou chapéu de cangaceiro vai no mínimo achar a cena ridícula, mas Rita nunca se levou a sério, e a idade parece que não vai mesmo mudar alguma coisa.

A platéia, apesar de sentada, reagiu com furor a noite inteira, o suficiente para quebrar o clima de "teatro" e fazer Rita declarar mais de uma vez o amor por sua cidade natal, a "Nova Iorque do terceiro mundo". Ela lembrou, de fato, a cidadania carioca recebida no ano passado, mas comemorou o sétimo lugar numa pesquisa para eleger o símbolo de São Paulo, "atrás da pizza", fez questão de ressaltar.

O HSBC Brasil só virou festa de verdade em "Agora só falta você", quando o público finalmente se levantou das cadeiras e foi para a frente do palco cantar junto. Mas aí já era o fim do show, e o bis, mesmo com "Mania de você" e "Lança perfume", foi curto para saciar quem estava sedento por mais sucessos do cancioneiro da ruiva.

Rita Lee repete o show na noite deste sábado, com ingressos de R$ 60 a R$ 150. Quem perder terá outra oportunidade nos dias 25 e 26, já que a grande procura fez com que a casa marcasse duas datas extras, com entradas levemente mais caras (R$ 70 a R$ 160).

Confira abaixo quais foram as músicas da primeira noite:

Flagra
Nem luxo, nem lixo
Mutante
Jardins da Babilônia
Bem-me-quer
Amor e sexo
Roll over Beethoven
Vingativa
O bode e a cabra
Vítima
Tão
Corre corre
Doce vampiro
Ovelha negra
Agora só falta você

Ando meio desligado / Mania de você
Erva venenosa
Lança-perfume / Chiquita bacana

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