Restart lança CD e DVD, planeja filme e investe no mercado latino

Principal representante do ¿rock colorido¿, grupo tem planos ambiciosos para 2011

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Jorge Rosenberg/iG
Pe Lanza, vocalista da banda Restart, durante apresentação da banda no Happy Rock Sunday, em São Paulo
É final de tarde de um domingo numa das maiores casas de shows de São Paulo. Lá dentro, mais de quatro mil adolescentes - e alguns poucos pais - se espremem para chegar perto do palco. Eles não estão à espera de nenhuma atração internacional que vem ao Brasil pela primeira vez. Pelo contrário: a banda é brasileira e toca no local um domingo por mês, sempre às 18h. É a sétima edição do Happy Rock Sunday, matinê promovida pelo Restart, principal representante do “rock colorido”, no HSBC Brasil.

Reunir quatro mil pessoas num domingo à tarde em sete oportunidades (nove, se forem computadas as duas edições no Rio de Janeiro) é apenas uma das amostras do sucesso do grupo, formado há apenas dois anos e meio em São Paulo. Seu primeiro disco, "Restart", lançado em dezembro de 2009, bateu a marca de 50 mil cópias e foi certificado com um disco de ouro. O segundo, "Restart By Day", vendeu 30 mil exemplares assim que foi lançado.

O mais correto seria chamar "Restart By Day" de projeto multimídia. Além das doze músicas (seis em português e seis em espanhol), o CD tem cinco vídeos com cenas do cotidiano da banda. Um dos responsáveis pelas imagens é Lucas Henrique Kobayashi de Oliveira, ou simplesmente Koba, guitarrista do grupo. Além do CD, o Restart também acaba de lançar um DVD. Mas não é o usual vídeo de show - é um DVD karaokê, para os fãs cantarem junto. E que já vendeu 15 mil cópias.

Seriam esses formatos "alternativos" uma forma de combater a queda nas vendas de discos no Brasil? Segundo Marcos Maynard, empresário da banda, não. "Apenas queremos dar ao público o que ele quer", diz. "Nós nem pensamos mais nisso, combater a queda nas vendas. Quem quiser baixar música, baixa, não me preocupo mais". A frase, é bom frisar, vem da boca de alguém que já presidiu grandes gravadoras, como a Polygram e a EMI.

"Se eu estivesse numa multinacional, ia apanhar se falasse isso. Mas é verdade", ri Maynard. Segundo ele, as grandes gravadoras em que trabalhou "vão ter que se adaptar". "Naquele momento em que o Napster (programa de troca de arquivos pela web) apareceu (final dos anos 1990), devíamos ter conversado com eles, em vez de combater. Se tivéssemos feito isso, estaríamos todos felizes hoje vendendo músicas a 50 centavos, sem crise", acredita.

Divulgação
Restart em 2011: Filme, disco em espanhol e chicletes devem colaborar para o sucesso da banda
Maynard é, junto com Guto Campos, responsável por toda a carreira do Restart. Além de gravar, lançar e distribuir os discos, a empresa dos dois ainda agencia os shows e negocia com a Angelotti Licensing o licenciamento de produtos relacionados ao grupo - a banda tem de álbum de figurinhas a chicletes, além de uma loja própria que vende roupas, acessórios, pôsteres, cadernos e adesivos, entre outros ítens. O faturamento? "Não falamos sobre números", desconversa.

A Angelotti estima que o lançamento de 25 novos produtos relacionados ao Restart, incluindo as figurinhas e os chicletes, movimente cerca de R$ 40 milhões nas lojas. O lucro líquido com a venda desses ítens deve ser de R$ 2 milhões até o fim deste ano, e de R$ 10 milhões em 2011.

Há ainda mais planos para 2011. Eles incluem, por exemplo, um DVD ao vivo gravado durante um dos Happy Rock Sundays, com lançamento previsto para o primeiro semestre, e um filme da banda. Acaba de ser fechada uma parceria com a Paranoid Filmes, produtora comandada pelo cineasta Heitor Dhalia (diretor de "O Cheiro do Ralo" e "À Deriva"). Eles vão produzir um longa-metragem sobre o grupo, que deve ser lançado em dezembro do ano que vem.

"Tivemos o nosso primeiro encontro há poucas semanas", adianta Pe Lanza, vocalista do Restart. Segundo ele, ainda não está definido como será o filme. "Por enquanto estamos conversando. Eles deram algumas ideias, nós também, mas ainda não fechamos nada", explica. Outro problema é adequar as ideias ao orçamento. "Não temos dois bilhões de dólares para gastar. Isso aqui não é Hollywood".

A grande aposta do ano, no entanto, é o mercado latino-americano. O plano começou há alguns meses, quando os quatro integrantes do grupo começaram a ter aulas de espanhol. No início deste mês, eles foram ao Uruguai e à Argentina para participar de diversos programas de rádio. A estratégia já deu frutos: "Te Llevo Conmigo", versão em espanhol de "Te Levo Comigo", já apareceu nas paradas desses dois países.

Os responsáveis pelas versões das músicas foram escolhidos a dedo por Maynard. O mexicano Carlos Lara, responsável por vários sucessos do RBD, escreveu "Te Llevo Conmigo", enquanto o argentino Ale Sergi, do grupo Miranda, transformou "Amanhecer em Teu Olhar" em "Amanecer en Tu Mirada". "Também já tenho os caras para fazer as versões em inglês. É tudo uma questão de tempo", garante o produtor.

Veja abaixo a entrevista exclusiva com os membros do Restart:

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