REM transborda carisma e esbarra na perfeição em primeiro show em SP

Juliana Zambelo |

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Existem mais de 200 mil palavras nos dicionários de língua portuguesa e nenhuma delas é suficientemente exata para começar a descrever a apresentação do REM nesta segunda-feira em São Paulo. Em um calor infernal e com um som altíssimo, quase ensurdecedor, o trio mostrou um apanhado generoso da carreira com a determinação de novatos e a segurança de veteranos. Esbarrando na perfeição, exercitaram pela primeira vez na cidade a árdua tarefa de ser uma das melhores bandas de rock da história.

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O show começou com cerca de vinte minutos de atraso e foi disparado por Living Well Is The Best Revenge, faixa do novo álbum Accelerate que abriu todas as apresentações da turnê. E logo nos primeiros acordes o Via Funchal se mostrou pequeno demais para a banda ¿ que transbordava em potência, em importância, em magnificência ¿ e se tornou claustrofóbico com o passar do tempo. Na platéia tomada por fãs faltava espaço e ar.

O repertório deixou poucos hits de fora. Teve as oitentistas Fall on Me, It's the End of the World As We Know It e The One I Love, as pesadas Orange Crush e What's the Frequency, Kenneth? e sucessos mais recentes, como Bad Day e Imitation Of Life. A balada Everybody Hurts, uma das mais tristes da música pop, levou a platéia ao delírio e Losing My Religion, a música que trouxe o REM ao mainstream, não foi menos apoteótica. O público cantava a plenos pulmões e nem assim conseguia encobrir o som impressionante da banda no palco.

Michael Stipe falou pouco durante todo o show, deixando a interação por conta de olhares, sorrisos e gestos. Ele dança, pula, rebola, usando o corpo como a batuta do maestro para comandar a plateia. Seu carisma é raro e irresistível. O baixista Mike Mills e o guitarrista Peter Buck também conquistam sem falar muito, deixando o centro do palco para o vocalista performático.

A vitória de Barack Obama nas eleições dos Estados Unidos foi celebrada logo na primeira pausa da noite, enquanto o telão mostrava imagens do presidente eleito. Seu nome foi repetido mais adiante em uma nova homenagem, sempre aplaudido pelo público.

O show correu sem percalços e sem perder a força. Ele foi encerrado no início da terça-feira após quase duas horas com um bis de cinco músicas. A última delas, Man on the Moon, fez a plateia toda pular usando suas últimas energias.

O REM encerra sua passagem pelo Brasil nesta terça-feira com mais uma apresentação em São Paulo. Ainda há ingressos à venda.

Confira o setlist do primeiro show na capital paulista:

"Living Well Is the Best Revenge"
"I Took Your Name"
"What's the Frequency, Kenneth?"
"Fall On Me"
"Drive"
"Man-Sized Wreath"
"Ignoreland"
"Hollow Man"
"Electrolite"
"The Great Beyond"
"Everybody Hurts"
"Imitation Of Life"
"She Just Wants To Be"
"The One I Love"
"Sweetness Follows"
"Let Me In"
"Bad Day"
"Horse To Water"
"Orange Crush"
"It's the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)"

"Supernatural Superserious"
"Losing My Religion"
"Animal"
"(Dont Go Back To) Rockville"
"Man On The Moon"

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