Red Hot Chili Peppers entrega belo show pop em São Paulo

Com novos disco e guitarrista, banda mostra competência nos hits e contraste com músicas do passado

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Flea de cabelo roxo e sem camisa, Anthony Kiedis em boa forma e de luvas, Chad Smith de macacão e lenço na cabeça, e Josh Klinghoffer, bem, esse é novo. De resto, o Red Hot Chili Peppers que tocou em São Paulo na noite desta quarta-feira (21) continua o mesmo há anos. Há anos, mas que não significa tanto tempo assim para uma banda que tem quase três décadas de estrada. O grupo que passou pelo palco da Arena Anhembi diante de uma plateia praticamente lotada não era aquele que tocava nu com meias escondendo o pênis: era, isso sim, o que encheu as rádios de sucessos melosos nos anos 2000.

Também uma das atrações do Rock in Rio , no próximo sábado (24), o Chili Peppers está na turnê de divulgação do recém-lançado "I'm With You", primeiro disco depois da segunda – e pelo jeito definitiva – saída do guitarrista John Frusciante. Em seu lugar, entrou Klinghoffer, colaborador do grupo desde "Stadium Arcadium" (2006).

A primeira faixa de "I'm With You", "Monarchy of Roses", também serviu para abrir o show e provou de cara que os fãs conheciam as novas músicas. De cara ainda se percebeu que a tônica do álbum permanecia a mesma ao vivo: sem Frusciante, a guitarra vai para o segundo plano e quem toma a linha de frente é o baixo de Flea e a bateria alucinada de Chad Smith, dois belíssimos instrumentistas.

De bigode, boné e Vestindo uma camiseta em que se lia "Red Hot Perú", a mesma do show na Argentina , logo no início Kiedis tentou ser simpático e tascou um "tudo bom?". Mas era alarme falso – a tônica da noite foi o portunhol, que, bem intencionado, garantiu frases como "mucho amor" e "agora una nueva canción". Sem contar a paixão pelo Brasil declarada pelas palavras "Pelé", "Ronaldo", e "Ronaldinho", hoje universais.

A não ser exceções como "Don't Forget Me", em que a guitarra aparece com mais propriedade, Klinghoffer teve desempenho discreto, mais do que suficiente para acompanhar os aplaudidos sucessos do Red Hot, como "Scar Tissue", "Californication" e "Otherside". O público cantou junto, feliz da vida, até porque foram todas músicas que tocaram no rádio até não poder mais. Em comum, um verniz pop e aura de balada, ideal para grudar nos ouvidos sem maior dificuldade.

São, sem dúvida, pop de primeira grandeza, mas quando o lampejo do passado dá o ar da graça, o contraste com o Chili Peppers do século 21 é cristalino. Flea apresentou "Me & My Friends", lançada em "The Uplift Mofo Party Plan" (1987), terceiro disco do grupo, como uma "música com culhões". E ela é isso mesmo: rápida, pesada, até violenta, com o vocal no acelerador de Kiedis, influenciado pelo rap. A plateia reagiu nitidamente com maior força e os músicos, também.

Não quer dizer que a maturidade, a cara limpa e a responsabilidade familiar tenham minado o que o RHCP tinha de melhor, mas alguma coisa se perdeu entre o hino "Under the Bridge" – que Klinghoffer conseguiu errar – e a nova "Dance Dance Dance", por exemplo. A acomodação, natural, pode explicar a metamorfose de roqueiros em expoentes do pop. Nisso, não há muito o que criticar. Só, talvez, lamentar.

O show cresceu também quando a banda se afastou dos arranjos originais e inovou, como na versão destruidora de "By the Way", que abriu o caminho para o bis. Auxiliada por teclado e pela percussão do brasileiro Mauro Refosco, a faixa ganhou RPM e, dividida em vinhetas, poder dançante. Um dos pontos altos da noite, completada por luzes fortes e um telão criativo (com filtros coloridos sobre a imagem, o que deve ter prejudicado a visão de quem estava longe do palco).

Na última música, 1h30 depois, Kiedis arrancou a camiseta, mostrou disposição até então escondida e voltou aos velhos tempos para defender "Give It Away", o maior hit do grupo, de seu melhor disco, "Blood Sugar Sex Magik" (1991). Pela altura dos saltos de Kiedis e de Flea, não eram só os fãs que estavam se divertindo. Os garotos com a meia no pênis por um instante estavam de volta.

Veja abaixo o setlist do show em São Paulo:

"Monarchy of Roses"
"Can't Stop"
"Charlie"
"Scar Tissue"
"Look Around"
"Otherside"
"Factory of Faith"
"Throw Away Your Television"
"Don't Forget Me"
"Me & My Friends"
"Under the Bridge"
"Did I Let You Know"
"Higher Ground"
"Pea"
"Californication"
"By the Way"
Bis
"Dance Dance Dance"
"Parallel Universe"
"Give It Away"

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