Receita de sucesso do Kiss funciona mais uma vez

Banda se apresentou na Arena Anhembi nesta terça-feira

Carlos Augusto Gomes |

Existem poucas certezas na vida. Uma delas é o Kiss. A banda, formada em 1973, há décadas faz da previsibilidade uma de suas maiores qualidades. Dá até para comparar com um Big Mac: ambos não trazem maiores surpresas e nem são muito sofisticados. Em compensação, são incofundíveis, marcantes e - questão de gosto, é claro - deliciosos.

Veja fotos do show do Kiss em São Paulo

O show que o Kiss fez nesta terça-feira em São Paulo foi idêntico aos dois primeiros da turnê pela América Latina, em Santiago e Buenos Aires. Exatamente as mesmas músicas, na mesmíssima ordem. Efeitos especiais, luzes e explosões, também iguais. Até as falas de Paul Stanley, com algumas adaptações, podem ser consideradas idênticas.

Até aí, tudo bem - qualquer grande show não permite maiores mudanças no roteiro. Mas muito do que o Kiss faz no palco - a esmagadora maioria, na verdade - já vem sendo feito desde os anos 1970, os anos de ouro da banda. Músicas, figurinos, truques, tudo vem dessa época.

E daí volta a comparação com o Big Mac. O sanduíche do MacDonalds não muda porque não precisa mudar. Tem seu espaço, sua marca, sua personalidade, seus fãs, sua importância. Mais do que isso: é um ícone, um modelo, um ideal em sua área de atuação. Assim como o Kiss, gostem ou não, é na sua, o rock'n'roll.

Ver a banda é praticamente uma aula de como deve ser um show de rock. Se o repertório não muda, é porque ele solta os sucessos nos momentos certos e prepara terreno para um final apoteótico. Se Paul Stanley solta as mesmas frases para o público há decadas, é porque elas mantêm a plateia entretida como nenhuma outra.

É óbvio que trata-se de uma fórmula, e como toda fórmula ela cansa com o tempo. Mas o Kiss, incrivelmente, está bem longe disso. Basta ver a reação do público que lotou a Arena Anhembi, na Zona Norte de São Paulo. A plateia estava tão satisfeita que ficou claro que os truques da banda ainda funcionam.

E olhe que o grupo não estava em seus melhores dias. O linguarudo Gene Simmons estava visivelmente de mau humor, e a voz de Paul Stanley não inspirava segurança. Além disso, houve alguns problemas técnicos que deixaram uma certa tensão no ar. Mas a banda continuou fazendo seus números como se nada tivesse acontecido.

Os destaques, é claro, foram sucessos como "Rock and Roll All Nite", "Shout It Out Loud" e "Detroit Rock City", entre outros. Mas algumas faixas menos conhecidas, mas adoradas pelos fãs, também chamaram a atenção. Por exemplo, as ótimas versões de "Parasite" e "Let Me Go, Rock'n'Roll".

E houve também os destaques extramusicais. Gene Simmons foi responsável pelos melhores, cuspindo sangue cenográfico e levantando vôo antes de cantar "I Love It Loud". Já a Paul Stanley, como sempre, coube o papel de animador de auditório: ele conversou, pediu palmas, elogiou o público e até carregou uma bandeira do Brasil.

Veja abaixo o repertório do show:

Deuce
Strutter
Got To Choose
Hotter Than Hell
Nothin' To Lose
C'mon and Love Me
Parasite
She
Watchin' You
100,000 Years
Cold Gin
Let Me Go, Rock'n'Roll
Black Diamond
Rock And Roll All Nite

Bis

Shout It Out Loud
Lick It Up
I Love It Loud
I Was Made Lovin´ You
Love Gun
Detroit Rock City

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