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Ratatat BR LP3

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

LP3 , terceiro álbum da dupla nova-iorquina Ratatat, tem seu lançamento oficial marcado para o início de julho, mas já vazou. Finalizado dois anos após Classics e gravado em poucas semana, LP3 aprimora e define a estética peculiar do duo. E valendo-se de arranjos digitais suntuosos e composições recheadas de arpejos que conferem a sua música um toque pop clássico, o guitarrista Mike Stroud e o produtor Evan Mast forjam um ato de ventriloquismo musical notável.

A faixa de abertura, "Shiller", parece, a princípio, uma versão menos soporífera das visionárias colaborações entre Brian Eno e o guitarrista Robert Fripp. Aos poucos a melodia central torna-se mais lúgubre e intensa, e, então passa a aludir as faixas instrumentais que Tony Iommi sempre insistiu em incluir nos melhores álbuns do Sabbath.

"Falcon Jab" investe numa eletrônica de sotaque francês, não inteiramente dissociável do ataque trinca-pista do Justice, mas com o bem-vindo bônus da sutileza (via piano). "Mi Viejo" lança mão de padrões circulares de guitarra que, apesar da nítida moldura eletrônica, remetem tanto aos ragas mais ácidos de John Fahey quanto às pungentes trilhas western de Ennio Morricone. "Mirando" soa como Santana remixado pelo Daft Punk. Já "Flynn" é um dub ditado por ambiências transcendentais.

Há ainda espaço para escalas árabes, metais do leste europeu, reggae semi-ortodoxo e variações ensolaradas de IDM. Apesar das radicais variações de formato, todas as faixas parecem trilha incidental para se observar o nascer do sol através da janela de um trem-bala, preferencialmente rumo a algum lugar ainda não visitado.

Ouvir LP3 é como olhar dentro de um caleidoscópio defeituoso, e até poderia se acusar Stroud e Mast de inconsistência, mas isso seria ignorar justamente o maior trunfo de LP3 - o inesperado, em formas decididamente belas.

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