Radiohead toca para 30 mil pessoas em São Paulo

Banda britânica fechou a edição paulista do Just a Fest, que também teve Los Hermanos e Kraftwerk

Carlos Augusto Gomes |

A espera foi longa. Quinze anos, sete álbuns e diversos boatos sobre vindas ao Brasil. Mas, neste final de semana, o Radiohead finalmente aportou no país. Na sexta-feira, tocou para 24 mil pessoas no Rio. No domingo, foi a vez dos paulistas: 30 mil pessoas reunidas na Chácara do Jóquei. As expectativas, obviamente, eram altas. Foram atentidas.

O Radiohead é, antes de mais nada, uma banda generosa com seu público. Faz shows de pelo menos duas horas e com mais de duas dezenas de músicas. Em São Paulo, não foi diferente: um total de 26 canções, com nada mais nada menos que três bis. E um repertório bem diferente do show feito apenas dois dias antes no Rio.

A performance começou com "15 Step", faixa do mais recente disco da banda, In Rainbows . Depois, veio uma sucessão de grandes canções: "There There", "The National Anthem", "All I Need", "Pyramid Song" e "Karma Police". A partir desse momento, a plateia estava ganha - e não foi perdida nem quando o Radiohead apostou em seu lado "difícil".

O grupo liderado por Thom Yorke é provavelmente o mais experimental do planeta a reunir públicos de 30 mil pessoas. É uma música sem ganchos ou refrões fáceis, com integrantes que não seguem a cartilha dos ídolos do rock. Mas isso não impede que eles consigam hipnotizar - na maior parte do tempo, pelo menos - multidões.

A sensacional "Idioteque" foi o exemplo perfeito de como o Radiohead conquista o público mesmo sem seguir regras. Eletrônica, pesada, fragmentada, mas mesmo assim irresistível. Ao cantá-la, Thom Yorke se contorce de uma maneira que dificilmente poderia ser chamada de dança - mas o faz de um modo tão único que é impossível não aplaudir.

Depois de 17 canções, a banda se retirou do palco. Os pedidos de bis, inexplicavelmente, foram tímidos. Mesmo assim, a banda voltou. A primeira música, "Videotape", só serviu para abrir caminho para a grande "Paranoid Android", tocada em seguida. Quando ela já havia acabado, o público voltou a cantar. Thom Yorke acompanhou.

As duas canções seguintes foram presentes aos fãs: "Fake Plastic Trees", dilacerante balada de 1995 (e, infelizmente, única faixa do álbum The Bends a entrar no repertório do show), e "Lucky", destaque da obra-prima do Radiohead, o disco Ok Computer , de 1997 (representado por outras quatro faixas na apresentação).

Veio então uma nova saída, e um novo bis, o segundo. Novamente ele começou morno, com "House of Cards". Depois, ficou lento mas emocionante, com uma grande versão de "You and Whose Army". Em seguida, dançante e pesado, com uma "Everything in Its Right Place" que ficará na memória de todos que estavam lá.

Quando parecia que o show estava terminado, o Radiohead voltou para um terceiro e último bis. "Adivinha o que vamos tocar?", brincou Thom Yorke. Foi "Creep", primeiro sucesso do Radiohead, e que só entrou no repertório da atual turnê há poucas apresentações. Um final não menos que catártico, para um dos melhores shows de 2009.

1. 15 Step
2. There There
3. The National Anthem
4. All I need
5. Pyramid Song
6. Karma Police
7. Nude
8. Arpeggi
9. The Gloaming
10. Talk Show Host
11. Optimistic
12. Faust Arp
13. Jigsaw falling into place
14. Idioteque
15. Climbing up the Walls
16. Exit Music (For a Film)
17. Bodysnatchers

Primeiro Bis

18. Videotape
19. Paranoid Android
20. Fake Plastic Trees
21. Lucky
22. Reckoner

Segundo bis

23. House of Cards
24. You & Whose Army?
25. Everything in its Right Place

Terceiro bis

26. Creep

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