Radiohead é o anti-pop que é pop

Mesmo criando música experimental, a banda continua a atrair a atenção de muita gente

Thiago Ney, iG São Paulo |

Divulgação
Capa do oitavo do disco do Radiohead, "The King of Limbs"
E o Radiohead está de volta ao noticiário. O quinteto inglês não apenas lançou o oitavo disco, "The King of Limbs", mas: 1) pegou todos de surpresa com o anúncio-relâmpago do lançamento ; 2) pegou todos de surpresa ao antecipar em um dia esse lançamento ; 3) assustou a (pelo menos acho eu) todos com o clipe da nova música "Lotus Flower", que mostra Thom Yorke dançando de maneira "freak-descoordenada" (para dizer o mínimo) .

Mas e "The King of Limbs"? É bom? É ruim? Meia-boca?

Meia-boca.

O ponto é que a música do Radiohead, há algum tempo, tornou-se algo que exige (desculpe os termos) paciência e atenção do ouvinte. Na fase pós-"OK Computer" (disco de 1997), não há mais letras fáceis, refrãos cantaroláveis, melodias assobiáveis. São faixas abstratas, formadas por ruídos, por sons eletrônicos estranhos, por guitarras quase imperceptíveis, por vocais grunhidos.

Não que isso seja ruim. Muito da boa música feita hoje (Flying Lotus, Four Tet, Burial etc.) foge dos padrões pop. Mas o que diferencia o Radiohead dos outros é que o Radiohead é uma banda grande, que é destaque principal em festivais enormes e que chama a atenção até de jornalões como "New York Times" e "Guardian" - uma banda anti-pop que é pop.

Se em discos como "Kid A" (2000), principalmente, e em "In Rainbows" (2007) o Radiohead reuniu as características citadas acima de forma coesa, fluida, em "The King of Limbs" a paisagem aparece desfocada, borrada.

A primeira música, "Bloom", é um drum'n'bass diluído, anêmico. Segue "Morning Mr. Magpie", que tenta nos envolver em algum tensão - mas é logo dissipada e a canção acaba, insípida. "Feral" não passa de um exercício de estilo (o que deve agradar apenas a outros músicos). "Give Up the Ghost" é uma indecência: primária, dispersa.

Se em outras faixas o Radiohead falhou na tentativa de criar emoção, em "Codex" a missão é alcançada: música climática de personalidade, sóbria e forte. "Lotus Flower" (a música, não o clipe) é redonda, com diversos ruídos convergindo em sintonia elegante. "Separator" é outra boa surpresa: encerra o disco em um clima ao mesmo tempo etéreo e íntimo.

O Radiohead produz grandes momentos em "The King of Limbs", mas de maneira esparsa. Falta algo. Talvez a energia de "The Bends" (1995). Ou a emoção de "OK Computer". Ou a criatividade de "Kid A".

    Leia tudo sobre: RadioheadKing of Limbs

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG