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Rock Band ensina Beatles a uma nova geração

The Beatles: Rock Band oferece uma experiência de entretenimento transformadora

The New York Times |

A geração baby boom não aceita nada menos que total reverência aos Beatles. Portanto, a notícia de que os rapazes de Liverpool adotariam a nova forma de um videogame (um videogame!) chamado "The Beatles: Rock Band" foi tratada por alguns dos fãs da banda como uma heresia.

Felizmente, Paul McCartney e Ringo Starr, bem como as viúvas de George Harrison e John Lennon, parecem entender que os Beatles não são uma obra de museu, que a banda e sua mensagem nunca poderão ser envoltas em âmbar.

"The Beatles: Rock Band" é um divisor de águas, do tipo que só pode ser menos influente do que a famosa aparição da banda no programa "Ed Sullivan Show", em 1964. Ao reinterpretar um símbolo essencial de uma geração na mídia e tecnologia de outra, "The Beatles: Rock Band" oferece uma experiência de entretenimento transformadora.

Neste sentido, pode ser o jogo de videogame mais importante já feito.

Nunca antes um jogo de videogame teve tamanha ressonância cultural intergeracional. A fraqueza da maioria dos jogos é que eles normalmente são destituídos de qualquer conexão com nossa vida e tempos atuais. Geralmente não há nenhum significado mais amplo, nenhuma mensagem maior, em derrotar alienígenas ou zumbis, ou até mesmo nos jogos cognitivos que exigem a determinação de uma estratégia ou a solução de um quebra-cabeças.

Títulos anteriores da série "Rock Band" e "Guitar Hero" já fizeram mais nos últimos anos para apresentar clássicos do rock aos jovens do que todas as estações de rádio do país. Mas este novo jogo é especial porque mostra de maneira amorosa, meticulosa, gloriosa a carreira relativamente breve da banda de rock mais importante de todos os tempos.

A música e letras dos Beatles não são menos pertinentes hoje do que eram há tantas décadas atrás, e ao reimaginar sua mensagem na forma descaradamente moderna, interativa e digital de agora, o jogo conecta quase 50 anos de entretenimento moderno.

Com todo respeito aos jogos esportivos do Wii, nenhum videogame uniu mais os pais a seus filhos adolescentes e jovens do que "The Beatles: Rock Band" provavelemente fará nos próximos meses e anos.

Maratona de Beatles

Em uma noite de sexta-feira de agosto, eu convidei um grupo de jovens antenados de 20 e poucos anos (eu tenho 36!) ao meu apartamento em Williamsburg, Brooklyn, para experimentar o jogo.

Depois de 15 minutos um jovem de 25 anos disse: "Eu vou ter que comprar isso para os meus pais no Natal, né?". Nove horas depois nós havíamos completado todas as 45 músicas do jogo em uma sessão maratona.

Na tarde de sábado, eu acordei com um jovem de 20 anos tentando dominar a sucessão de bateria de "Tomorrow Never Knows". Trinta e seis horas depois, quase na manhã de segunda-feira, ainda havia alguns vagabundos felizes na minha sala tocando "Back in the URSS". Ainda bem que meus vizinhos estavam viajando neste fim de semana.

Eu cresci em Woodstock, Nova York, envolto em rock clássico, portante tive uma certa vantagem sobre os meus colegas mais jovens. (Eu suspeito que muitos pais desfrutarão ter a mesma vantagem sobre seus filhos.)

Ainda assim, eu vi a mesma transformação inúmeras vezes ao longo do fim de semana. Nós começávamos uma música como "Something" ou "While My Guitar Gently Weeps", e conforme começava eles diziam: "Oh sim, essa aí". Então ao final havia um silêncio literalmente atordoado antes de alguém dizer algo impublicável, ou simplesmente "UAU", enquanto eles absorviam a intensidade emocional e as melodias quase divinas dos Beatles por completo.

O jogo não serve apenas para reapresentar estas músicas e conduzir os jogadores por uma versão esquemática de como criar canções de fato, mas faz isso de uma maneira muito mais atrativa do que o ato inerte de se ouvir um álbum.

Antes, jogos de músicas foram sobre coleções musicais. "The Beatles: Rock Band" é sobre representar e reviver toda uma visão de mundo encapsulada na música. Os fomentadores da Harmonix Music Systems traduziram a tablatura dos Beatles em uma forma que é acessível mas também carrega o ritmo visceral da música. Em sua mescla de material de fonte e apresentação, "The Beatles: Rock Band" é puro prazer. O jogo deve ser lançado pela MTV Games para PlayStation 3, Wii e Xbox 360 no dia 9 de setembro, o mesmo dia em que o catálogo remasterizado dos Beatles será lançado em CD.

Mecanicamente, ele é quase idêntico aos jogos "Rock Band" anteriores. Um jogador canta em um microfone, substituindo o vocalista, enquanto outros tocam guitarra, baixo e bateria. (O novo jogo aceita até mais dois cantores para um potencial máximo de seis jogadores.)

No enredo do jogo, os jogadores habitam os vários Beatles conforme eles progridem do Cavern Club ao palco de Ed Sullivan, o Estádio Shea, o Budokan no Japão, Abbey Road, e sua apresentação final no telhado da Apple Corps em 1969. Ao contrário de jogos anteriores da série "Rock Band", os jogadores não são vaiados por performances fracas, ao invés disso a tela exibe a mensagem "Falha na Canção". Falas de estúdio inéditas servem de trilha sonora para o menu e telas de créditos, mas não há nenhuma interação direta com avatares de John, Paul, George ou Ringo.

O cenários coloridos psicodélicos usados para representar as explorações em estúdio da banda são particularmente evocativas, apesar de servirem mais para entreter os espectadores do que os próprios jogadores (que estarão concentrados em acertar a música ao invés de observar os cenários bonitos).

Claro que quase nada poderia ser mais prosaico do que mostrar que tocar em um jogo de música não é igual a tocar um instrumento real. Ainda assim, há algo a respeito dos videogames que inspira verdadeira raiva em algumas pessoas mais velhas.

Por quê? Existirá ainda um medo de que uma representação estilizada da realidade diminua a atenção à própria realidade? Nos últimos séculos, toda nova tecnologia para criar e desfrutar músicas (o fonógrafo, o violão elétrico, o Walkman, a MTV, o karaokê, o iPod) foi condenada como a possível morte da música "real".

Mas a música é eterna. Cada nova ferramenta para criá-la e cada nova tecnologia para experimentá-la apenas levam a alegria da música a mais pessoas. Este novo jogo é um ótimo entretenimento que não só apresentará as músicas dos Beatles a uma nova audiência mas também trará simultaneamente milhões dos pais menos resistentes às mudanças aos jogos.

Por isso, seus fabricantes merecem uma ampla reverência, no melhor estilo dos Beatles.

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