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Estou na infância da velhice , diz Caetano Veloso

Cantor chega aos EUA para primeiros shows depois de eleição de Barack Obama

AFP |

Para Caetano Veloso, o tempo ajuda a melhorar, a se renovar e a incorporar aprendizagens para seguir desfrutando de uma música que rendeu ao cantor o deu reconhecimento mundial e com a qual hoje se sente "na infância da velhice".

"Estou na infância da velhice. Sem querer, dediquei toda a minha vida à música popular e foi algo muito bom porque desde muito pequeno adorava cantar", disse Caetano à AFP, em uma série de entrevistas via e-mail, antes de sua chegada a Miami para um show na terça-feira.

Caetano, de 67 anos, conta que quando era jovem tinha outros interesses, como a literatura e o cinema, mas que a música foi se impondo em sua vida com força. Ele diz que se sente "agradecido", como "se uma mulher bonita o tivesse escolhido", e que, por isso, trabalha "como se não tivesse dado ainda tudo que ela merece".

O mais popular e reconhecido músico brasileiro contemporâneo mencionou o crescimento da música em espanhol nos Estados Unidos e a influência da brasileira, e disse que a entrada de sua obra no mercado americano não é um objetivo que o motiva. "Não penso em ganhar ou perder espaço nos Estados Unidos, e sim, em poder fazer uma música melhor do que a que fiz até agora. Vejo o futuro de uma perspectiva mais brasileira, que não depende muito dos Estados Unidos".

Em relação ao restante do continente, ele diz que o "Brasil é um estranho e enorme país onde as pessoas falam português", o que o diferencia da grande onda hispânica ou do mercado latino que vem influenciando os Estados Unidos.

No entanto, a música brasileira conta com figuras como "Carmen Miranda, João Gilberto, Tom Jobim e Milton Nascimento, que são conhecidos e admirados por muitos em um país que fala inglês e que é o mais poderoso do mundo, e isso é muito valorizado por nós", completou.

Sobre as novas tendências musicais, Caetano diz gostar do "reggaeton e também do funk carioca", apesar de considerar um estilo "muito menos polido". E em relação às novas gerações de músicos no Brasil, afirma que se deve prestar atenção tanto na cantora Roberta Sá, como nas bandas alternativas Babe Terror e Rabotnik.

Caetano pensa em Miami como um lugar em que há forte impacto da música latina e diz que em seu show, no teatro Fillmore de Miami Beach, espera encontrar muitos imigrantes hispânicos e brasileiros que vivem na cidade, mas também alguns "jovens americanos que me descobriram através de David Byrne, Beck, David Longstreth, Devendra Banhart e Panda Bear, que se interessaram pela minha música".

A apresentação em Miami tem também uma sensação especial porque é sua primeira visita aos EUA desde que o presidente Barack Obama, por quem sente um "particular afeto", chegou à Casa Branca. "O look de Obama encanta tanto a mim como às minhas irmãs, porque se parece muito com nosso pai, que era um mulato elegante, com as orelhas de abano", disse.

"Acredito que sua chegada à presidência é um grande acontecimento", completou Caetano, que valoriza as conversas iniciadas por Washington com a Rússia para reduzir os arsenais nucleares e o possível fechamento de Guantánamo, mas lembra: "os Estados Unidos não podem apagar no Afeganistão as mentiras do Iraque".

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