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Emoções Sertanejas revela amadorismo da Globo

Emissora mostra padrão global de embromação e corta artistas na homenagem a Roberto Carlos

Pedro Alexandre Sanches, colaborador iG Cultura |

A dupla Milionário & José Rico entrou para cantar "À Distância...", e assim começou, no dia 17 de março passado, a gravação do especial Emoções Sertanejas no ginásio do Ibirapuera . Ao acabarem de cantar, Milionário & Zé Rico anunciaram César Menotti & Fabiano, que depois chamaram Nalva Aguiar, que apresentou Gian & Giovani, que introduziram Martinha, que entregou para Bruno & Marrone, e assim a locomotiva seguiu.

Ontem foi ao ar a versão editada pela Globo, e a diferença mais marcante era a mudança completa dessa dinâmica. A ordem das músicas foi toda alterada (Zezé di Camargo & Luciano apareceram primeiro cantando "O Portão", como para esquentar o início do programa), e a passagem de bastão de artista para artista cedeu lugar à aparição da atriz Deborah Secco, forçada a apresentar blocos de cantores com textos pré-fabricados, adocicados, piegas, no mais típico padrão global de embromação.

Dos que cantaram no início da gravação, quase todos foram jogados para escanteio na edição final. Por falta de tempo para mostrar todo mundo ou de boa vontade para com os mais antigos (os primeiros serão os últimos?), a Globo empurrou para o final e reduziu a meros trechos condensados as apresentações de Milionário & José Rico, Martinha e Nalva Aguiar. Com exceção de uma Elba Ramalho algo deslocada e da jovem e marcante Paula Fernandes, as (poucas) mulheres participantes não tiveram vez na versão televisiva do show coletivo.

Luciano Trevisan

Roberto Carlos abraça Tinoco: homenagem ao veterano foi momento alto do especial

Na tela de TV, ganha-se o acréscimo de poder ver de perto o rosto cansado e as mãos trêmulas do velho Tinoco, 90 anos, que no momento de ápice da gravação foi homenageado por Roberto Carlos como o patrono de todos que haviam pisado naquele palco (ele, RC, postou-se no primeiro lugar dessa fila). Na tela, a entrada trôpega de Tinoco confirmou-se como o momento mais emocionante das Emoções Sertanejas, mas a Globo dobrou o joelho do clímax invertendo o curso natural e colocando Tinoco antes da des-homenagem apressada aos outros veteranos.

Depois disso, só restava o encontro de despedida de todo o elenco, com "Eu Quero Apenas". Aí a TV também parecia ganhar do ginásio, pois só nos closes se pôde ver com maiores detalhes as pequenas saias justas, as disputas por microfone, os engasgos, o nervosismo geral dos súditos e do próprio rei.

Mas, vantagens visuais à parte, ficou engraçado perceber que, mesmo com todo o peso de seu know-how e tecnologias de ponta, a Globo não escapa de dar show de amadorismo e levar baile da vida-ao-vivo-como-ela-é. Pois as muitas câmeras espalhadas por todo canto não foram suficientes para sacar em qual verso cada cantor ou dupla ia pegar o microfone para fazer seu solo sob o olhar gentil do anfitrião. O que mais se viu, nessa hora, foram vozes parecendo sair do além enquanto a imagem global congelava numa panorâmica do elenco gravado lá de longe, do fundo do ginásio, qual fosse um pobre espectador da mais distante das arquibancadas.

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