Projeto Coisa Fina faz melhor show de sexta-feira na MIMO

Homenagem a Moacir Santos conquista público em Olinda; francês Alex Tassel mostra paixão na Igreja da Sé

Tiago Agostini, enviado especial a Olinda |

A 8ª Mostra Internacional de Música de Olinda, a MIMO 2011, parece ser uma edição de resgate e homenagem dos compositores esquecidos do Brasil. Na quinta, o arranjador Arthur Verocai se emocionou com a recepção calorosa do público, assim como o Azymuth esbanjou virtuosismo. Nesta sexta (8), foi a vez de Itamar Assumpção – o filme "Daquele Instante em Diante" foi exibido no pátio da Igreja da Sé – e do pernambucano Moacir Santos, através do Projeto Coisa Fina.

Renato Spencer/Santo Lima
Projeto Coisa Fina na MIMO: apresnetação na terra de Moacir Santos
Primeiro maestro negro da Rádio Nacional, nos anos 50, Moacir foi o professor de artistas como Nara Leão, Baden Powell e Sérgio Mendes. Desde que se mudou para Los Angeles, em 1967, porém, teve seu nome esquecido pelo grande público e apenas um disco lançado aqui. "Ouro Negro", de 2001, que trazia músicas suas com velhos e novos arrajos, foi o responsável pelo resgate de sua memória antes de sua morte, em 2006. E também o disco que reuniu o Projeto Coisa Fina.

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Big band de 13 pessoas, o Coisa Fina se juntou há seis anos para tocar músicas de Moacir Santos após ficarem fascinados com o "Ouro Negro". Na igreja mais bonita utilizada pela MIMO, o Mosteiro de São Bento, o grupo fez o melhor show da noite em Olinda.

É impressionante como não parece existir nenhum traço em comum que una os 13 além da música de Moacir. Cada um veste um estilo diferente de roupa, o que gera um painel visual heterogêneo interessante no palco. Mas se é que elas existem, as diferenças somem pela música.

Formado por jovens, a maioria na casa dos 20 anos, o Coisa Fina utiliza o vigor da juventude em seus arranjos e sua postura no palco. Mesmo em um local austero como uma igreja, a impressão é de não se estar em um concerto, tamanha a desenvoltura e naturalidade dos 13. O suingue da ótima cozinha é amplificado pelo naipe de sopros que, ao invés de fazer a cama para o arranjo, constantemente ataca em primeiro plano, prendendo a atenção do público.

Visivelmente emocionados por tocarem na terra do ídolo, os músicos extenderam a apresentação com números de outros compositores, como J.T. Meirelles. Não que o público se importasse: ao final da apresentação, a fila à beira do palco para cumprimentar os músicos era a maior vista nos três dias de festival.

Beto Figueiroa/Santo Lima
O francês Alex Tassel em ação em Olinda
Pouco depois, o jazzista francês Alex Tassel subiu ao palco da Igreja da Sé com seu quinteto. Durante uma entrevista à tarde, o músico ressaltava a liberdade como elemento primordial de sua música, o que se comprova na apresentação solta e cheia de improvisações que, mesmo assim, mantém um ritmo.

Divulgando seu último disco, "Heads or Tails", na MIMO, Tassel se conectava com o público através de seu flugelhorn que, como ele diz, tem a capacidade de transmitir uma ideia em poucas notas. Assim, a apresentação é repleta de virtuosismo dos músicos, mas a favor de um arranjo maior, mesmo quando se destacam em solos.

O show do quinteto é muito mais passional do que cerebral. A interação com a plateia se dá de forma natural, o que agrada ao músico, que antes da apresentação esperava uma recepção intuitiva do público. "As plateias aqui são diferentes da França, vão assistir sem ficar avaliando critérios técnicos", disse na entrevista. O pedido de bis deve ter atendido as expectativas.

A edição 2011 da MIMO continua neste sábado, com shows de Egberto Gismonti e Alexandre Gismonti às 19h, no Seminário de Olinda, e de Philip Glass e Tim Fain às 20h30, na Igreja da Sé.

* O repórter viajou a convite do festival

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