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Primal Scream BR Beautiful Future

Katia Abreu |

Por Katia Abreu

O anúncio de um novo disco do Primal Scream suscita todo tipo de dúvidas e ansiedades em entusiastas de novidades musicais. Com 25 anos de serviços prestados ao rock, Bob Gillespie e companhia têm por hábito surpreender seus fãs com discos tão diferentes entre si quanto possa alcançar o leque de referências da banda. Responsável por duas pedras fundamentais do rock de fim de século ¿ Screamadelica , em 1991, e XTRMNTR , em 2000 ¿, neste seu nono álbum o Primal Scream envolve suas letras um tanto apocalípticas em sonoridades mais pop e ensolaradas, em muito graças à produção assinada por Paul Epworth (Bloc Party) e Bjorn Yttling (Peter, Bjorn & John).

Gillepsie descreve o álbum como chiclete com lâminas de barbear e esta imagem cai bem, principalmente, a faixa título que abre o disco. O futuro bonito pintado pelos britânicos tem clima de pop açucarado, com direito a palminhas, e uma letra que fala de casas vazias, carros queimando, corpos nus pendurados nas árvores. Mas exceto por essa interessante discrepância entre o clima de letra/música, Beautiful Future , o disco, não causa nem um terço do impacto que as obras primas da banda (citadas acima) trouxeram à época de seu lançamento.

Há convidados especiais: Josh Homme (Queens of Stone Age) aparece na roqueira Necro Hex Blues, e Luisa Lovefoxxx (CSS) se firma como indie star de primeira grandeza na electro I Love to Hurt (You Love to Be Hurt). Mas estas escolhas soam até um pouco óbvias, dado o fato de serem estas duas das figuras mais cool do rock alternativo hoje. Mais interessante é o resgate da lenda folk Linda Thompson, numa bela e delicada cover de Over and Over, do Fleetwood Mac. E há Zombie Man, com seu climão meio country rock a la Country Girl, single do disco anterior (Rock City Blues, 2006), e Glory of Love, na mesma linha ensolarada que abre o disco ¿ hits em potencial.

No mais, Gillepsie usou armas que conhece bem e com as quais já estamos acostumados: há atmosfera rocker (Urban Guerrilla, primeira faixa liberada pela banda, é o melhor exemplo), toques de soul, elementos eletrônicos e psicodelia comendo solta pelo disco todo. Mas falta em Beautiful Future aquela vontade de ouvir todas as músicas incessantemente, sem deixar passar nenhuma (a arrastada Beautiful Summer é altamente pulável). Não surpreende, mas também não chega a macular a obra desta que é uma das mais importantes bandas do moderno rock inglês.

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