Preço alto reduz venda de ingressos para shows de João Gilberto

Após uma semana, metade das entradas ainda não foi vendida; preços variam entre R$ 500 e R$ 1,4 mil

Agência Estado |

AE
João Gilberto em show em 2003
Com preços variando entre R$ 500 e R$ 1.400, metade dos cerca de 10 mil ingressos para os shows de João Gilberto no Rio, em São Paulo, Brasília e Porto Alegre, em comemoração aos seus 80 anos, está encalhada. As vendas começaram há uma semana, de modo que "encalhada" pode parecer uma palavra forte demais. Mas não para quem acompanha a voracidade com que fãs esgotam os bilhetes neste século 21. Vide os casos recentes dos shows do Rock in Rio e de artistas como Paul McCartney, Justin Bieber, Pearl Jam, U2 e Amy Winehouse.

Há três anos, nos shows por ocasião dos 50 anos da bossa nova, que interromperam um silêncio de cinco anos, o próprio João levou muita gente a varar a madrugada num plantão por ingressos - e eles não duraram sequer duas horas. Como a venda era feita simultaneamente em bilheterias, por telefone e pela internet, alguns mais ansiosos levaram laptop e celular para a fila, para cercar por todos os lados.

A diferença é que em 2008 o Itaú patrocinava o show (e todas as outras ações relativas à efeméride), e o financiamento permitiu que os ingressos mais baratos saíssem por R$ 30. Desta vez, nenhuma empresa, brasileira ou estrangeira, se interessou pela turnê, anunciada em junho, quando João fez aniversário. Os departamentos de marketing alegaram que já estavam com suas verbas comprometidas com outros eventos culturais de 2011.

Assim, para que a turnê fosse viável, e levando-se em conta o número reduzido de pagantes, já que João não canta em lugares muito grandes (o maior será a Via Funchal, de 2.500 lugares) e só fará um show por cidade, foi preciso estabelecer preços altos, justifica Antônio Barretto Junior, um dos realizadores. Até ontem à tarde, a produção negociava com uma "empresa estatal" que a surpreendeu com uma proposta tardia.

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Na terça, antes deste contato, Barretto desabafara: "A turnê custa R$ 4,5 milhões, entre o cachê do João, os custos da locomoção dele em jato particular, os técnicos que vêm do Japão, a carga tributária, os equipamentos e o aluguel dos espaços, e são menos de 10.000 mil pagantes. Daí se tira o valor do ingresso, e é preciso levar em consideração a meia-entrada. Muitos fãs são idosos", disse Barretto, contactado em março para trabalhar na turnê.

Ele achou que não tardaria a conseguir apoio, já que contava com apelos fortes: os 80 anos, os três anos sem shows e a gravação de um DVD. Agora, se não fechar mesmo com empresa alguma, convive com a possibilidade de prejuízo. Para potencializar os ganhos com a bilheteria, o número de agraciados com convites (pedidos pessoais de João, imprensa, etc.) deverá ficar em 10% - quando há patrocínio, muitas vezes metade dos ingressos é de cortesia.

Algumas das maiores patrocinadoras da cultura já apoiam eventos de música grandes este ano, o que pode ajudar a explicar as negativas a João. O Itaú é o principal patrocinador do Rock in Rio, que conta também com a Claro e a Coca Cola, entre outras parceiras; o Bradesco trouxe Paul McCartney; a Antarctica, a Amy Winehouse, em janeiro.

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