Pearl Jam busca princípios básicos em novo CD

Backspacer é voltado para princípios fundamentais que antecedem o início do Pearl Jam

Jon Pareles, The New York Times |

O ingresso em uma nova fase da carreira pode levar uma banda a reavaliar-se para tentar acelerá-la. É isso que o Pearl Jam está fazendo em Backspacer , primeiro álbum de estúdio da banda fora do sistema de grandes gravadoras (em uma fusão de pragmatismo e consciência, o Pearl Jam pôs o álbum à venda no território americano com exclusividade através da Target, mas também em pequenas lojas de discos independentes, no iTunes e no site pearljam.com). Você está em alta? Está em queda?, grita Eddie Vedder na faixa Got Some, exclamando em seguida: Consiga um pouco se você está precisando!.

O álbum Backspacer é voltado para princípios fundamentais que antecedem o início do Pearl Jam. São 37 minutos divididos entre 11 canções basicamente rápidas, vigorosas e cheias de energia. Quero viver minha vida no último volume, declara Vedder na faixa Supersonic. Como fez REM no álbum Accelerate , de 2008, o Pearl Jam puxa o botão do afogador e dá partida no motor, soltando riffs de guitarra e recusando-se ¿ basicamente ¿ a equiparar maturidade e desaceleração.

A banda não faz uma revisão de seus primeiros anos, quando inventar o grunge era o mesmo que lutar contra a depressão em mid-tempos ascendentes. Na verdade, ela olha para décadas anteriores: para o início dos anos sessenta e para os Rolling Stones, em especial. É comum que Stone Gossard e Mike McCready, os dois guitarristas em tempo integral do Pearl Jam, façam acordes juntos como Keith Richards e Ronnie Wood do Stones. Há também traços de Ramones, Police e mesmo Beach Boys. A formação central da banda, incluindo Jeff Ament no baixo, é a mesma desde 1990 - Matt Cameron assumiu a bateria em 1998. E mesmo quando estão navegando com conta giros complexos, mas com a produção de Brendan OBrien eles se engrenam como uma jam band.

Apesar da musicalidade impactante, as novas canções do Pearl Jam não tentam simular atitudes ou problemas juvenis. Vedder já não canta mais sobre os traumas de sobrevivência, como fazia nos primeiros álbuns da banda, ou descarrega a raiva política como fazia no álbum de estúdio Pearl Jam, de 2006. Suas letras agora refletem ¿ às vezes em tom rouco, outras de forma pensativa ¿ sobre uma vida realizada. 

Ele faz alarde de sua seriedade em faixas como The Fixer ¿ catalogando seus impulsos de ingênuo bem-intencionado enquanto alguém soca a baqueta no cowbell ¿ e nos crescendos inspirados de Amongst the Waves e Unthought Known. Em meio a explosões de adrenalina, o Pearl Jam pega leve na cadência e reconsidera sua idade e mortalidade em canções como Just Breath e The End - uma despedida de um marido à beira da morte, com guitarras acústicas e uma orquestra ao fundo.

O dilema do Pearl Jam é que com poucas metas externas ou frustrações contra as quais lutar, a banda corre o risco de se tornar boazinha demais, caindo na hipocrisia. Sem dúvida é essa a intenção de Vedder quando canta: Preencha o ar de amor, ou ainda Ainda me mantenho firme a este sonho de uma luz distante. Mas a música do Pearl Jam não se alinha bem com satisfação.

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