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Paul Weller BR 22 Dreams

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

O nono álbum solo de Paul Weller é também seu mais eclético. Eternamente engessado na posição de definidor da sonoridade revivalista mod, tão cara ao pop inglês de bandas Oasis e Ocean Colour Scene, o cantor e guitarrista é na verdade um dos mais notáveis pontos de confluência entre estilo e substância no rock britânico dos últimos 30 anos. Afinal, trata-se do homem que redefiniu a topografia sonora das Ilhas liderando o The Jam (onde aliou a ambição do The Who à urgência do punk), para depois tomar um rumo inesperado com o Style Council, que se aventurava por uma refinada mistura de jazz e rhythm'n'blues. É inevitável vincular a sonoridade retrô de todo o britpop dos anos 90 à obra do cantor - e o mesmo serve para bandas que desbravam o novo milênio como The Kooks e Kaiser Chiefs. Em 22 Dreams , Weller resolveu dar vazão a todas as influências disparatadas de sua persona musical em um abrangente álbum duplo que surpreende pela coesão.

"Echoes Round the Sun" (com a participação de Noel Gallagher, co-autor da música) é um stomp barulhento regado a feedback e baixo distorcido, um dos melhores momentos do álbum. Aliás, a autoridade de Weller é tamanha que conseguiu unir num mesmo disco Gallagher e um de seus rivais históricos, o guitarrista Graham Coxon, ex-Blur (que toca na etérea "Black River"). Ancorado em rocks cheios de entrega e instrumentais febris, além de guitarras e teclados fartamente psicodélicos, o disco não esmorece nunca ¿ nem mesmo quando se aventura por território menos rock. No jazz sincopado de "Song For Alice" (onde presta tributo à pianista Alice Coltrane), conta com a participação do lendário Robert Wyatt, aclamado tanto por seu trabalho com o Soft Machine quanto por sua carreira solo. Já "Cold Moments" é outra cepa de jazz: pop, light, lembrando tanto o Style Council quanto aos primórdios do Steely Dan.

Diverso mas nunca auto-indulgente, além de uniformemente inspirado (lembre-se: 21 faixas!), 22 Dreams é certamente um dos pontos altos na carreira de Weller. Em uma entrevista recente à rádio da BBC, quando questionado sobre o rumo a seguir depois de trabalho tão abrangente, sua resposta foi "Continuar vivendo, na verdade." Parece um plano tão bom quanto qualquer outro.

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