Os dez discos essenciais da carreira de Ney Matogrosso

Veja também entrevistas e fotos do cantor, que completa 70 anos nesta segunda

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Nesta segunda-feira, Ney Matogrosso completa 70 anos ( veja entrevista exclusiva em que o cantor fala sobre sua trajetória ). Destes, 38 se passaram diante do público brasileiro. Revelado em 1973, como vocalista dos Secos & Molhados, ele passou como um furacão pela música brasileira: uma voz como nenhuma outra no país, e uma presença cênica como nenhuma outra no mundo. Além, é claro, de uma sexualidade que transpira por sua música, e uma recusa de se encaixar em qualquer rótulo - nestes 70 anos, ele já gravou desde o rock de Cazuza ao erudito de Villa-Lobos. Veja abaixo os dez discos essenciais da carreira do cantor:

Secos & Molhados (1973)
O disco que tornou Ney Matogrosso um astro, praticamente do dia para a noite. A voz única, a forte sexualidade, a presença de palco marcante. Acompanhados, é claro, das espetaculares composições de João Ricardo ("Sangue Latino", "O Vira") e Gerson Conrad ("A Rosa da Hiroshima", feita a partir de um poema de Vinícius de Moraes). Radicalmente ousado e original, e mesmo assim um dos maiores sucessos de público daquele ano.

Água do Céu / Pássaro (1975)
Após o fim dos Secos & Molhados, Ney lançou um compacto e logo depois este seu primeiro disco solo. É o trabalho mais experimental de sua carreira, bem diferente do som mais pop que ele abraçou em seus discos imediatamente posteriores. Destaque para as belas "Corsário" (João Bosco e Aldir Blanc), "Bodas" (Milton Nascimento e Ruy Guerra) e "América do Sul" (Paulo Machado).

Pecado (1977)
Uma boa amostra da versatilidade de Ney Matogrosso. Aqui, ele grava de tudo: do rock nacional de Raul Seixas ("Metamorfose Ambulante") e Rita Lee ("Com a Boca no Mundo") à MPB de Caetano Veloso ("Tigresa") e Milton Nascimento ("San Vicente"), passando por clássicos do cancioneiro brasileiro ("Desafinado", de Tom Jobim, e "Da Cor do Pecado", de Bororó).

Ney Matogrosso (1981)
Neste disco, Ney mostra o seu lado mais debochado. Diante de quem o criticava por ser homossexual, ele respondia gravando "Homem com H" ("Porque eu sou é homem, e como sou"). O repertório ainda inclui Chico Buarque ("Deixa a Menina"), Rita Lee e Roberto de Carvalho ("Amor Objeto") e Eduardo Dusek ("Folia no Matagal"). É um dos discos mais vendidos da carreira do cantor.

Pois É (1983)
Em 1983, o rock tomava conta das paradas no Brasil, com grupos como Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso. Ney, que sempre havia incluído o gênero em seu caldeirão musical, resolveu entrar na onda. Este disco traz a sua famosa versão para "Pro Dia Nascer Feliz", de Frejat e Cazuza. No seu disco seguinte, "Destino de Aventureiro" (1984), ele voltaria a gravar uma música da dupla, "Por Que a Gente É Assim".

Pescador de Pérolas (1986)
Uma das maiores guinadas da carreira de Ney. Depois de alguns anos flertando com o rock e o pop, ele reuniu-se a músicos como o pianista Artur Moreira Lima, o saxofonista Paulo Moura e o violonista Rafael Rabello para gravar clássicos da música brasileira ("Tristeza do Jeca") e latina ("Dos Cruces"). É uma prova que ele não precisa de plumas e paetês para ser um dos maiores intérpretes do país.

Um Brasileiro (1996)
No meio da infinidade de discos dedicados à obra de Chico Buarque, "Um Brasileiro" se destaca por dois fatores: em primeiro, a voz única de Ney Matogrosso; em segundo, a escolha do repertório. Ao mesmo tempo em que resgata músicas menos conhecidas de Chico ("Até o Fim", "Corrente"), o cantor imprime sua personalidade a composições mais manjadas como "Roda Viva" e "Partido Alto".

O Cair da Tarde (1997)
Um dos trabalhos mais sofisticados do cantor, "O Cair da Tarde" reúne obras de Antonio Carlos Jobim e Heitor Villa-Lobos, com participação do grupo mineiro Uakti. Algumas das interpretações mais intensas da carreira de Ney estão neste disco, como "Melodia Sentimental" (de Villa-Lobos) e "Modinha" (de Jobim). Dois anos depois, ele mudaria novamente de rumo ao gravar música mais pop em "Olhos de Farol".

Vagabundo (2004)
Em uma iniciativa ousada, Ney decidiu gravar um disco junto com a banda Pedro Luís e a Parede. O resultado é um de seus trabalhos mais vigorosos, que dois anos depois ainda rendeu um bom álbum ao vivo. Entre os pontos altos do variado estão duas composições de Itamar Assumpção ("Transpiração" e "Finalmente"), um dos autores mais gravados pelo cantor e que havia morrido no ano anterior.

Beijo Bandido (2009)
Depois das guitarras do disco "Inclassificáveis" (2008), Ney deu mais uma prova de sua versatilidade e lançou um de seus trabalhos mais delicados e intimistas, "Beijo Bandido". O título é tirado de um trecho da letra de "Invento", do gaúcho Vitor Rammil. O repertório mistura compositores como Roberto e Erasmo ("À Distância"), Herbert Vianna ("Nada por Mim"), Cazuza ("Mulher Sem Razão") e Vinícius ("Medo de Amar").

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