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Offspring BR Rise and Fall, Rage and Grace

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

Bandas que ganham muito dinheiro conquistam o direito de experimentar, remodelar seu som, investir em produção diferenciada, abordar novos tópicos em suas letras, aspirar novas faixas-etárias como público. Algumas das grandes obras do rock foram paridas por grupos que já não tinham nada mais a almejar, financeiramente falando (caso exemplificado à perfeição por Achtung Baby , do U2, e Automatic For The People , do R.E.M., para ficar em dois exemplos mais do que conhecidos).

O Offspring simplesmente não é uma dessas bandas, e Rise and Fall, Rage and Grace , oitavo disco dos californianos, não é nada aprazível. Não que seja fácil racionalizar o porquê. Fato é que, longe de serem músicos incompetentes, os hoje milionários membros do grupo parecem ter evoluído (termo discutível) até um determinado platô, que não parecem dispostos ou prontos a abandonar.

O vocal rasgado e melódico de Dexter Holland é, nota por nota, o mesmo ouvido pela primeira vez em alguma FM rock com "Self Esteem" ou "Come Out And Play", por volta de 1994. Há baladas, há beats processados e tentativas de rock dançante, há hardcores com riffs trovejantes, e, sobretudo, há um tom sentimental que torna a banda só mais um dinossauro de arena, nem tão diferente assim de Ted Nugent ou Aerosmith ¿ ironicamente, exemplares musicais aos quais já foram considerados uma "alternativa".

Talvez seja a noção de que o punk-rock, mais do que qualquer outro subgênero, nunca foi conhecido por saber envelhecer com dignidade. Há um lado estranho, terno e domesticado em quase todas as canções de Rise and Fall , o que não é de se estranhar levando em conta o histórico da banda desde o sucesso de Americana, dez anos atrás. Mas a idéia de veteranos punk mostrando a cada disco um lado mais desastradamente sensível soa por demais constrangedora.

Mesmo que nunca tenha sido uma banda hardcore puro-sangue (desde o auto-intitulado disco de estréia, em 1989, o Offspring já apresentava um pendor para o rock clássico e para o metal muito mais nítido do que o de contemporâneos como o Pennywise), perfilar a fúria púbere de clássicos como "Gotta Get Away" e "Session" contra o piano sub-Coldplay de "A Lot Like Me" é um exercício deveras doloroso.

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