Offspring e Kaiser Chiefs são destaques de festival em São Paulo

Carlos Augusto Gomes e Marco Tomazzoni |

Acordo Ortográfico

As bandas Offspring e Kaiser Chiefs, no palco principal, e Breeders, no palco indie, foram as favoritas do público no festival Planeta Terra, realizado neste sábado (08) em São Paulo. O evento reuniu aproximadamente 15 mil pessoas, segundo informações da organização, num aglomerado de galpões na zona sul da capital paulista.

O Offspring subiu ao palco pouco depois das 22h. A veterana banda de punk pop da Califórnia era uma espécie de estranho no ninho na escalação do festival, que privilegiou atrações indies. Mesmo assim, fez um show que agradou em cheio ao público, especialmente quando tocou seus sucessos dos anos 1990, como "Come Out and Play" e "Pretty Fly (For a White Guy)".

Os britânicos do Kaiser Chiefs tiveram a responsabilidade de fechar a programação. Começaram sua apresentação por volta da 01h, depois de uma performance morna do Bloc Party. Ao contrário do último VMB, dessa vez o grupo de Kele Okereke não fez playback, mas isso não impediu que o show só empolgasse os mais fanáticos.

Mesmo pegando um público já cansado, o Kaiser Chiefs conseguiu contagiar o público. Graças, principalmente, à animação do vocalista Ricky Wilson, que fez piadas, conversou e até se pendurou na grade para ficar mais próximo da platéia. O grupo também soube distribuir bem seus principais hits ("Everyday I Love You Less and Less", "Ruby" e "I Predict a Riot") durante o show, não deixando nunca a bola cair.

O palco principal ainda recebeu o ótimo show da veterana banda Jesus and Mary Chain. O grupo dos irmãos Jim e William Reid, que estava separado há uma década e se reuniu este ano para uma turnê mundial, fez um apanhado de sua carreira em cerca de uma hora de show. Os melhores momentos foram guardados para o final: a belíssima balada "Just Like Honey" e a pedrada psicodélica "Reverence" (com direito a uma citação de "I Wanna Be Your Dog", dos Stooges).

Além dessas quatro atrações internacionais, o palco principal do festival ainda teve a banda mato-grossense Vanguart e a cantora paulista Mallu Magalhães, dois dos principais nomes do indie folk brasileiro. Mallu, de apenas 16 anos, fez sua estréia em eventos de grande porte e se saiu muito bem. Cantou músicas de seu disco de estréia, que sai na semana que vem, mais algumas inéditas e fechou com uma cover de "Folson Prison Blues", de Johnny Cash.

Indie Stage

O festival começou de verdade no Indie Stage com Curumin ¿ antes dele, no meio da tarde, passaram pelo palco os irmãos Supla e João Suplicy (o Brothers of Brazil), que tocaram para um público diminuto e nem sequer apareciam nos cartazes de divulgação do evento. Dono de um dos álbuns mais celebrados do ano na cena independente brasileira, Japan Pop Show , Curumin mostrou seu samba rock quebrado diante de poucos curiosos que ainda chegavam ao festival. Não demorou muito para ele conquistar os desavisados e encher o galpão ¿ a levada de Samba Japa, Compacto, Kyoto e o funk Caixa Preta emprestou malemolência até para quem não leva jeito para a coisa e deixou Curumin, comandando o espetáculo sentado na bateria, com um sorriso largo, inclusive pela excelente qualidade do som. Terminou a função com Magrela Fever, um dos destaques do disco, e saiu radiante para o backstage.

Conhecido por não fazer uma apresentação igual à outra, o Animal Collective fez jus à fama e surpreendeu no Indie Stage. Surpresa boa para os poucos fãs e ruim para os dissidentes do show de Mallu Magalhães ¿ recheadas de loops, programações hipnóticas, sem refrão reconhecível e letras praticamente inaudíveis, as músicas do trio afugentaram os curiosos logo no início. Quem ficou para ver disse ter gostado do som experimental do grupo, que tocou duas faixas ¿ Summertime clothes e Brothersport ¿ do próximo disco, Merriweather Post Pavilion , previsto para janeiro.

Enquanto no palco principal pairava um clima reverente ao Jesus & Mary Chain, no Indie Stage acontecia um dos shows mais intensos de todo o festival. Com apenas um álbum no currículo, Antidotes , lançado no início do ano, os garotos do Foals fizeram uma performance catártica para um público modesto (os conterrâneos do Bloc Party estavam lá), mas fã dos ingleses. O clima incendiário teve início com o hit Cassius e se manteve aceso até o final. A jam explosiva que é ao vivo a faixa Heavy Water e a entrega na excelente Red Socks Pugie foram os pontos altos, com destaque para a bateria aguda de Jack Bevan. O vocalista Yannis Philippakis é um show à parte: depois de arriscar algumas frases em português (garota bonita), deixou de lado a guitarra para assumir o tambor em Eletric Bloom e, em seguida, ir batucar no meio da plateia. No palco, o resto da banda se atirava nos instrumentos. De aplaudir com gosto.

Um dos nomes mais competentes do indie norte-americano contemporâneo, o Spoon fez no Indie Stage um apanhado de seus três últimos álbuns, com destaque para o mais recente, Ga Ga Ga Ga Ga , do ano passado. O líder e vocalista Britt Daniel foi o cicerone do palco ditando o ritmo na guitarra, apesar do teclado estar o tempo inteiro na linha de frente. Ao vivo, o Spoon oferece uma bem dosada mistura de melodia, rock e fúria, e essa é justamente a grande carta na manga do grupo. O naipe de metais que os acompanhou no disco e na última turnê fez falta, mas não atrapalhou a performance. A abertura climática com The Beast And Dragon, Adored, de Gimme Fiction , deu lugar aos sucessos Dont You Evah, You Got Yr. Cherry Bomb e Dont Make a Target. Enquanto o show evoluía, mais suor e violência saiam das mãos de Daniel. No final, ele já tocava quase deitado os hits The Underdog e My Mathematical Mind, que fechou a noite.

Pela primeira vez em São Paulo, o Breeders justificou sua escalação como headliner do Indie Stage e fez um show histórico, para alegria dos fãs. Criado pelas gêmeas Kim (baixista do Pixies) e Kelley Deal, o Breeders marcou época na década de 1990 com o álbum Last Splash . Quem pensava que o último disco, o fraco Mountain Battles , de 2008, ia ser a tônica da apresentação, se enganou feio, e ainda bem. A banda fez um apanhado de seus maiores sucessos, do CD de estreia, Pod, passando pelas faixas do The Amps, projeto paralelo comandado por Kim, e claro, o celebrado Last Splash , em peso no repertório. Ajudou a boa forma do grupo, auxiliado por uma terceira guitarra e por um baterista poderoso (José Medeles). Perto dos 50 anos, acima do peso e bebendo cerveja o tempo inteiro, Kim era só sorrisos. Desde a abertura com Tipp City, a plateia mais receptiva de todo o evento comemorava cada música com uma intensidade ímpar. Estupefata, radiante e com um humor fantástico, Kim repetia um obrigado meio sem jeito e emendava canção atrás de canção. Os destaques, como não podia deixar de ser, foram os hits Divine Hammer, o cover de Happiness Is a Warm Gun, Drivin On 9 (com Kelley no violino) e o hino Cannonball. O único bis da noite veio com a balada em espanhol Regalame Esta Noche, que fechou com beleza um festival em que os independentes brilharam muito mais do que as atrações do palco principal.

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