Oasis faz fãs esquecerem a chuva em São Paulo

Mesmo com show burocrático, grupo provou que continua na realeza do rock britânico

Marco Tomazzoni |

O que é isso que São Paulo tem com o Oasis e a chuva?, perguntou o guitarrista Noel Gallagher no microfone. Pois foi novamente abaixo de muita água, assim como na vez anterior que os ingleses passaram pela capital paulista, em 2006, que o Oasis fez seu segundo show no Brasil, neste sábado (09), na Arena Anhembi. Com o mesmo setlist apresentado no Rio e nos outros países da América Latina, se a noite não trouxe novidades ou o raro bom humor do grupo, proporcionou, além do banho indesejado, uma amostra do que os irmãos Gallagher, com 50 milhões de discos vendidos nas costas, conseguem fazer, mesmo sem muita vontade.

O aguaceiro começou fraco logo depois que os gaúchos da Cachorro Grande subiram no palco para o show de abertura, mas não demorou muito para a ira de São Pedro aumentar e literalmente lavar a alma do público, que tentava amenizar a situação com capas de chuva inflacionadas (R$ 10). Porém, como se alguém tivesse apertado um botão, foi só os primeiros acordes da instrumental "Fuckin' in the Bushes" soarem nas caixas para as gotas darem uma trégua, pelo menos por alguns minutos, e assistirem à banda entrar em cena.

"Rock n' Roll Star", do primeiro disco, Definitely Maybe , deu a largada para os fãs pularem e cantarem junto uma sequência recheada de sucessos na qual mal deu tempo para respirar: Lyla, The Shock of the Lightning e Cigarettes & Alcohol. Liam encarnou seu papel de sempre: sério, sem conversar muito, o vocalista se manteve na pose habitual (mãos para trás, pernas arqueadas e boca colada no microfone) e, ao contrário do que andam dizendo, não desafinou tanto. Sim, deu suas derrapadas, mas conservou a dignidade, inclusive jogando vez que outra sua meia-lua para a galera.

Se Liam mostrou sinais de ferrugem, Noel provou que está em plena forma. Cantando como nunca, apresentou uma belíssima versão de The Masterplan, um dos melhores lados-B do grupo, e exibiu sua desenvoltura nas guitarras com solos em quase todas as músicas, sem, no entanto, deixar aflorar uma vertente guitar hero. A outra virtuose da banda é o baterista Chris Sharrock, que, além de malabarismos com as baquetas, causou boa impressão pela velocidade e peso nas mãos.

Um momento tenso aconteceu antes da estupenda Morning Glory. Essa é para todos os caras que estão jogando coisas no palco, dedicou Liam, sarcástico. Em seguida, com cara de poucos amigos, Noel ameaçou: Se continuarem, nós vamos embora. O alerta gerou mal-estar no público e, após um breve intervalo de silêncio, motivou xingamentos e vaias para os envolvidos, enquanto "The Importance of Being Idle" não aparecia para quebrar o gelo.

Rumo ao final, um bloco de baladas levantou a temperatura para o bis. Composta por Liam, Im Outta Time deixou os fãs cantarolando o refrão, mas não se compara à comoção provocada por Wonderwall, talvez o maior hit do Oasis. Foi um festival de cantoria e mãos para cima. Uma versão menos enérgica de Supersonic deu a deixa para a banda sair do palco, mas nem foi preciso pedir muito ou bater pé para eles retornarem ¿ afinal, o bis já está institucionalizado e longe de ser uma surpresa.

Dont Look Back in Anger abriu a volta dando origem a um alvoroço ainda maior que o de Wonderwall. Em formato semi-acústico, com Noel no violão, a música foi acompanhada por um coro de mais 20 mil vozes, tanto que o guitarrista nem precisou cantar o refrão. Menos psicodélica e mais roqueira, a épica Champagne Supernova manteve o ritmo em alta.

Sem ser convincente, Liam ainda soltou um vocês foram incríveis, como sempre no microfone e se despediu comandando um belo e pesado cover de I Am the Walrus, dos Beatles. Tudo bastante burocrático, sem brilhantismo, mas suficiente para manter o Oasis na realeza do rock britânico.

Veja a lista de faixas do show:

"Fuckin' in the Bushes"
"Rock n' Roll Star"
"Lyla"
"The Shock of The Lightning"
"Cigarettes & Alcohol"
"The Meaning of Soul"
"To Be Where There's Life"
"Waiting For The Rapture"
"The Masterplan"
"Songbird"
"Slide Away"
"Morning Glory"
"Ain't Got Nothin'"
"The Importance of Being Idle"
"I'm Outta Time"
"Wonderwall"
"Supersonic"
Bis
"Don't Look Back In Anger"
"Falling Down"
"Champagne Supernova"
"I Am The Walrus"

Serviço - Oasis no Brasil

10/05 - Curitiba
Arena Expotrade, 19h30
Ingressos: R$ 160 a R$ 400
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12/05 - Porto Alegre
Gigantinho, 20h
Ingressos: R$ 120 a R$ 180
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