O drama artificial de Taylor Swift e Kanye West

O espetáculo de mídia incitado em canais de TV

The New York Times |

A Paixão de Swift - drama em três atos envolvendo prepotência, recriminação e redenção e que conta com a participação dos principais conglomerados de mídia da América - chegou ao fim (ou pelo menos é o que esperamos) na última terça-feira no programa de televisão The View, quando Taylor Swift anunciou que está comprando uma casa ¿ dando um leve toque de dignidade até mesmo ao espetáculo público mais horripilantemente repulsivo. Aquela foi a dica para que todo mundo deixasse de lado a agitação e voltasse ao que interessa na promoção de vendas de álbuns.

A história se desenrolou durante três dias em três redes de TV, uma bonança de propaganda que teve de ser compartilhada devido a comprometimentos anteriores vinculados à temporada de outono. A Viacom teve o primeiro ato - que, de certa forma, foi também o menos dramático - quando Kanye West arrancou o microfone das mãos de Swift no Video Music Awards da MTV no domingo. Na noite de segunda-feira foi a vez da NBC Universal, com a presença de um West cheio de remorsos na estreia do programa The Jay Leno Show.

Na terça-feira a Disney teve a última palavra (por enquanto) com a visita de Swift ao programa The View, na rede de televisão ABC. Ela admitiu ter sido balançada pelo incidente inicial, quando West interrompeu sua aceitação do prêmio de melhor intérprete feminina para sugerir que Beyoncé era quem merecia o mesmo. Ela, porém, evitou dizer qualquer coisa negativa em relação ao rapper.

Sua atitude foi bem contrastante com o restante do país, ou pelo menos com a porção dele que passa a vida tweetando, postando e escrevendo. Mesmo as apresentadoras do The View agiram como se Swift estivesse se recuperando de uma agressão física ou da perda de um ente querido.

Dramas artificiais

Isso tudo foi bem divertido por diversas razões. Primeiramente, aos 19 anos e com a aparência de um cisne desengonçado, é óbvio que Swift é dura na queda. E o que é mais importante, as atitudes grosseiras e o ego inflado de West realmente não precisavam daquela encenação de mea culpa cheia de lágrimas que Leno acabou incitando na noite de domingo.

Kanye West: confissão de sentimentos complexos ao apresentador Jay Leno

A reação estendida ao que West fez certamente também estava ligada ao tema que domina as conversas nos Estados Unidos no momento: a grosseria ¿ seja ela em relação a presidentes, árbitros ou cantoras country irritantemente bem-sucedidas. Mas, foi somente esta mais recente manifestação de nossa dependência aos dramas artificiais - que ficou cada vez mais acentuada à medida que os mesmos foram se tornando mais abundantes e baratos - e a falta de vergonha da mídia ¿ que agora arranca a casca da ferida em qualquer tipo de conflito para aumentar os índices de audiência.

(Uma explicação básica: O presidente Barack Obama lutando para ter a aprovação de seu plano de saúde pública no Congresso é um drama real: Kanye West pegando o microfone em uma das festas promocionais mais cínicas da cultura americana é um drama artificial).

O programa The View havia mostrado na quinta-feira um ótimo exemplo da natureza auto-suficiente de tais conflitos. Barbara Walters, causando sua melhor impressão vampiresca, virou-se para Kate Gosselin, apresentadora convidada do programa, perguntando como ela havia se sentido, na semana anterior, ao ouviu seu marido, Jon, dizer que a desprezava durante uma entrevista na televisão. Walters negligentemente não mencionou que a entrevista havia sido conduzida por seus vizinhos de rua, a ABC News.

Em meio ao diz que me disse entre West e Swift, foi ele quem realmente apareceu melhor na TV, talvez por ter sentimentos genuinamente complexos, que se deixam transparecer até mesmo nas circunstâncias mais teatrais. Ele se desculpou ¿ não para Swift, mas para Leno, o representante dos sentimentos feridos do americano de classe média ¿ com a impagável alegação de que ele tinha sido levado pelo sonho do que as premiações deveriam realmente ser. Ele foi também incisivo ao comentar: sou uma celebridade e tenho de lidar com isso.

Agora ficou bem claro que todos os participantes destes contratempos ¿ West, Swift, Beyonce, MTV, NBC E ABC ¿ são vencedores da mídia. Será que houve perdedores? Bem, esse seria o coitadinho do Jay-Z, que deu sequência ao lançamento às pressas de seu novo álbum (depois que o mesmo vazou na internet), ficando no segundo plano de West no que deveria ter sido seu próprio momento estelar no programa The Jay Leno Show. Já é o suficiente fazer o leitor pensar que tudo não passou de um exercício elaborado no mundo competitivo do hip-hop.

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