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Nomo BR Ghost Rock

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

A febre do afrobeat vingou em escala planetária. O ritmo, uma fusão insana de jazz, funk e ritmos do oeste africano, foi criado pelo nigeriano Fela Kuti e seu Africa 70 no início da década de 70. A sonoridade disseminou-se mundo afora por uma rede subterrânea de aficionados pelo groove que agora deixa o subsolo na tentativa de começar uma festa pan-africana global. Grupos como The Daktaris, Antibalas e Budos Band têm feito a alegria de quem não abre mão do elemento orgânico e humano na música feita para dançar.

Nomo, um coletivo de Chicago conhecido pela polirritmia incessante de seus shows e por sua sessão de metais causticante, é um dos nomes mais celebrados no revisionismo que atualmente visita o gênero. E Ghost Rock, terceiro disco do grupo liderado pelo multiinstrumentista Elliot Bergman, é a coisa mais dançante lançada nesse 2008.

Representante de uma cepa mais cerebral do neo-afrobeat, o Nomo funde eletrônica, estruturas modais e escapadas freejazz ao groove cíclico e flutuante do estilo. Ghost Rock sugere, desde seu título, um certo sotaque rock para o som da banda, mas o resultado soa distante de quase tudo criado na música pós-Elvis. "All The Stars" tem a construção meticulosa e o clima de beleza sustenida dos primeiros trabalhos da fase fusion de Miles Davis (In A Silent Way vem à mente). Em "My Dear", o pulsar constante do baixo parece acompanhar o estouro de uma manada de elefantes, enquanto os sopros monolíticos moldam a canção em uma trilha blaxploitation primorosa.

Muito tem sido dito sobre o Nomo, mas o mais curioso de tudo é escutar Ghost Rock e, diante do movimento involuntário de membros, pélvis, cabeça e ¿ por que não? - cérebro, comprovar que é tudo verdade.

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