New Order decepciona com show curto e arrastado no Ultra Music Festival

Principal atração do festival de música eletrônica, banda mostrou pouco ânimo e tocou por apenas uma hora

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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Bernard Sumner, vocalista do New Order
Uma decepção. Esse é um bom resumo do show que o New Order fez neste sábado no Ultra Music Festival, em São Paulo. Mesmo tocando sucessos como "Blue Monday" e "The Perfect Kiss", a banda não conseguiu empolgar. Parte da culpa foi do som ruim, que prejudicou principalmente a primeira metade da performance. Mas a parcela maior foi do próprio grupo. Sem ânimo, a banda fez uma apresentação arrastada e que acabou depois de apenas uma hora, sem sequer um bis.

O simpático vocalista Bernard Sumner tentou compensar os problemas batendo papo com o público. Logo no início do show, fez elogios ao Brasil ("É ótimo tocar aqui", afirmou) e disse que o tempo ruim (fazia frio e caía uma fina garoa na Arena Anhembi quando a apresentação começou) fazia com que eles se sentissem em casa, a chuvosa Manchester, na Inglaterra. Mesmo assim, não conseguiu esconder o mau humor com os problemas no som.

O grupo abriu o show com "Crystal" (do disco "Get Ready", de 2001), mas só arrancou mais aplausos na canção seguinte, "Ceremony" (primeiro single da banda, lançado há 30 anos). Outros sucessos se sucederam: "Bizarre Love Triangle" (numa versão estranha), "True Faith", "The Perfect Kiss" e, é claro, "Blue Monday", maior hit do New Order. Mas a banda estava tão desanimada que nem "Blue Monday" foi o suficiente para incendiar o público.

Após "Temptation", o grupo deixou o palco. Como o show tinha tido, até aquele momento, uma hora de duração e apenas nove músicas, a platéia se preparou para o bis. Mas ele não veio e a decepção foi evidente.

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Público no Ultra Music Festival
Rock em festival eletrônico

A escolha do New Order, banda pioneira na mistura de rock e eletrônico desde o início dos anos 1980, já mostrava que esta segunda edição do Ultra Music Festival estava disposta a embaralhar as fronteiras entre os dois gêneros. E nada exemplificou melhor essa decisão do que a escolha da dupla canadense Death from Above 1979 para tocar no palco secundário do festival.

O duo fez um show de rock, e dos mais pesados. Bom para bater a cabeça, não para dançar - tanto que, lá pelo final da apresentação, uma roda de pogo (dessas típicas de uma apresentação da banda punk ou hardcore) apareceu no meio da plateia. De eletrônico, o show só teve uns poucos elementos. A base foi mesmo bateria, baixo e muitos berros.

O baterista e vocalista Sebastien Grainger e o baixista e tecladista Jesse Keeler se reuniram este ano, depois de cinco anos separados. Como a volta, até o momento, rendeu shows mas nenhum novo álbum, o repertório das apresentações é quase que totalmente baseado no único álbum do grupo, "You're a Woman, I'm a Machine".

Os destaques desse disco, como "Turn It Out", "Black History Month" e "Blood On Your Hands", estiveram todos presentes na apresentação no Ultra Music Festival. Mas o destaque do show foi "Romantic Rights", que contou com a participação especial do brasileiro Iggor Cavalera (ex-Sepultura) na bateria. O que dá uma boa ideia de como o show foi pesado.

Divulgação
Soulwax
Soulwax e Swedish House Mafia

Apesar da decepção do New Order, o Ultra Music Festival compensou com algumas boas apresentações em suas 14 horas de programação. Uma das melhores foi a do Soulwax, banda liderada pelos irmãos Stephen e David Dewaele, que subiu ao palco principal às 20h, quando a Arena Anhembi ainda estava quase vazia.

Num show em que as canções se emendavam umas às outras quase sem pausas, o grupo misturou alguns de seus principais sucessos ("E-Talking", "Miserable Girl", "NY Excuse"), misturadas com canções ainda inéditas de seu novo álbum, prometido para o ano que vem. O eletrônico com pegada de rock do grupo conquistou o pequeno público presente.

O favorito da plateia, no entanto, foi o Swedish House Mafia. O trio de DJs não teve pudores em apelar para sucessos de Adele ("Rolling in the Deep") e Coldplay ("Every Teardrop Is a Waterfall") e fez um set que caiu no gosto da plateia.

A performance dos suecos teve direito até a uma tentativa de comandar uma coreografia da plateia durante o hit "Save the World". Foi o momento em que a Arena Anhembi ficou mais cheia, entre 2h e 3h. Depois disso, o público começou a diminuir. Segundo a organização do festival, 25 mil pessoas passaram pelo local.

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