Neil Young mostra músicas novas em Nova York

Neil Young encerra turnê no Madison Square Garden

New York Times |

Acordo Ortográfico

Quase chegando ao meio de seu longo e gratificante show no Madison Square Garden na noite de segunda-feira, Neil Young fez uma pergunta simples: Onde foi parar todo o dinheiro?. Ele cantou esta frase, repedindo-a para dar ênfase ou simetria. Alguns minutos depois ele soltou variações da mesma, com outras palavras - Onde foi parar o fluxo de caixa?/ Para onde escorreu toda a renda? ¿ o que confirmou que, afinal, aquela não era uma pergunta tão simples.

A frase faz parte de uma canção lançada recentemente por Young e sua Electric Band, em outra parada da turnê. Fãs se acostumaram a chamá-la de Cough Up the Bucks (que pode ser traduzido como passe a grana), por causa do seu refrão falado, muito embora o título também pudesse servir como comentário dos preços dos ingressos do evento. Essa é uma das novas canções incluídas no show ¿ mais de meia dúzia delas e nenhuma sequer razoavelmente boa. Porem, ela vinha ao encontro de uma tradição de Young: a música feita às pressas para falar de um assunto atual que vale mais pela eficiência objetiva do que pela sutileza, ou mesmo estilo.

Aos 63 anos, Young é uma imagem de eficiência objetiva, um homem que se sente confortável com suas próprias contradições. No primeiro dos dois shows de Nova Iorque, cidade onde encerrou sua turnê, ele se apresentou não somente como um obstinado que sobreviveu à queda de um penhasco, mas também como alguém ávido a se adaptar, um idealista hippie que demorou a aderir à causa, um pragmático imparcial e um cínico com olhos atentos.

E isso foi apenas no material novo, que veio com um repúdio. Estamos fazendo um teste para nossa antiga gravadora, disse Young depois de tocar uma sequência de quatro trabalhos inéditos ¿ incluindo "Light a Candle", um hino para os esperançosos; "Fuel Line, um cântico de triunfo para seu velho carro movido a biodiesel; e "Hit the Road and Go to Town, cujo título é totalmente auto-explicativo (pegue a estrada e vá para a cidade).

Quando ouvirem essas novas canções, façam bastante barulho, gostando ou não delas, ok?, ele incitou o público, usando um tom levemente malicioso.

Houve momentos de aclamação da platéia, mas a inovação do biodiesel realmente não estava no topo da pauta de quem estava por ali. As boas novas foram trazidas por canções antigas da carreira de Young, com uma ênfase ocasional nos anos setenta. Os sucessos Heart of Gold e Old Man mostraram a linda interpretação de Young, tendo ao fundo a familiar steel guitar de Ben Keith.    

O show contou com outros momentos acústicos, a maioria deles menos elaborados. Em Mother Earth (Natural Anthem), Young fez o acompanhamento com gaita e pipe organ, ressaltando em sua mensagem tanto a seriedade quanto a simplicidade. Ele tocou sozinho com sua guitarra o lamento melancólico The Needle and the Damage Done, no mesmo formato que é interpretado em Sugar Mountain: Live at Canterbury House 1968 .

Entretanto, a essência do show teve mais a ver com uma força cinética crescente, cheio de riffs insistentes e solos de guitarra agudos, sem pressa para acabar. Young fez sua produção alcançar resultado, direcionando grandes reservas de energia através de suas guitarras, incluindo a Gibson Les Paul de 1953 chamada por ele de Old Black. Ele se estendeu em todos os momentos oportunos, seja na agitação facilmente alcançada em Cowgirl in the Sand ou na inflamação final de Rockin in the Free World.

Traços da influência de Young puderam ser vistos no trabalho de Nels Cline, guitarrista da banda Wilco que tocou um set de abertura bastante sólido, apesar de pouco criativo. A outra banda de abertura, o Everest, quinteto de Los Angeles, buscou se aproximar mais do som classic band de Young, tentando combinar a vulnerabilidade a uma aura vintage.

Mas, eles não foram páreos para Young e sua turma: Keith, o baixista Rick Rosas, o tecladista Anthony Crawford e especialmente o baterista Chad Cromwell. Crawford fez vocais de fundo com Pegi Young, esposa do cantor, marcando uma presença forte, em sucessos como Cinnamon Girl, e refinada  em novos trabalhos como When Worlds Collide.

Este último foi apresentado logo depois de Just Singing a Song Wont Change the World. Na superfície, uma ode ao ceticismo, beirando até certa desaprovação. Mas, em um nível mais profundo, a canção deu a impressão de transferir o poder do artista para o público.

Você pode dirigir meu carro, cantou Young com generosidade, Sinta como ele roda.

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