Dupla apresenta disco "Dança das Cabeças" pela primeira vez na capital paulista

Egberto Gismonti em show de 1996
Agência Estado
Egberto Gismonti em show de 1996
Há mais de 30 anos, os paulistanos vêm esperando para ver Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos tocarem ao vivo o repertório do antológico álbum "Dança das Cabeças" (1977). Na Virada Cultural de 2008, Gismonti acabou não vindo e Naná fez seu show solo. Enfim, parece que chegou a hora. Dentro da série Álbum, do Sesc Belenzinho, eles se apresentam de sexta, 8, a domingo, 10, na cidade. O show não é inédito em palcos brasileiros: eles já tocaram o material desse disco no Rio em 1980, em Olinda (em 2007) e em outra cidade que Gismonti diz não lembrar.

"No Maracanãzinho foi a primeira vez que viemos mostrar isso no Brasil", lembra Naná. "Era um sonho mesmo, porque a gente tocava no mundo todo e não aqui. Foi um festival organizado pelo Zuza Homem de Mello. E o Maracanãzinho fez silêncio para ouvir. Isso foi incrível", conta.

A dupla ensaia na quarta e na quinta o repertório do show. Gismonti diz que não sabe exatamente como vai ser, mas espera que toquem "o melhor de Dança das Cabeças" e "novas coisas complementares". "Dança das Cabeças é um disco de muitas novidades na minha vida, sobretudo pela coragem de fazermos um disco fora do padrão dos grupos da época", diz o músico. Gismonti afirma que gosta de todos os seus 64 álbuns, "cada um com suas histórias, necessidades, alimentos e desenvolvimentos", sendo "Dança" considerado uma de suas obras-primas. Foi o primeiro registro dos dois pela importante gravadora alemã ECM.

Esse diferencial a que ele se refere é a formação instrumental: ele com seu recém-adquirido violão de 8 cordas, piano e flauta e Naná com os instrumentos de percussão (incluindo o próprio corpo). Harmonizando contrastes, a sugestão era fazer "o piano entrar na Amazônia", em sentido inverso ao de Villa-Lobos. Era Naná vindo do universo sonoro mais "raiz", digamos, tentando entender o refinamento erudito da formação do parceiro e levando sua contribuição. "Apesar das diferenças, a concepção, a maneira de pensar sobre música sempre foi muito parecida, então não tem muito o que pensar na hora de criar", diz Naná.

Gravado no final de 1976 e lançado em 1977, "Dança das Cabeças" ganhou diversos prêmios no mundo, incluindo o Grammy de melhor disco estrangeiro. Há quem o considere um trabalho de música erudita, outros o colocam nos nichos do jazz e da world music, latino, acústico. Para Gismonti é simplesmente inclassificável. "Não confundir com excelente ou péssima, inclassificável é o que eu não sei classificar", diz. O disco tem formato de duas suítes (uma de cada lado do LP original), repletas de movimentos variados e experimentações.

SERVIÇO
Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos
Sesc Belenzinho (R. Padre Adelino, 1.000)
6ª (8) e sábado (9) às 21h; domingo (10) às 18h
R$ 32

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