Naná Vasconcelos: "Quero morrer jovem, o mais tarde possível"

Percussionista pernambucano lança DVD e se prepara para show gratuito no Rio

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Naná Vasconcelos
Naná Vasconcelos está lançando um DVD com a apresentação que fez junto com a Orquestra Sinfônica do Distrito Federal, e noventa crianças escolhidas por ele em países de língua portuguesa, tais como Angola, Portugal e Brasil. Além disso, no dia 18 de agosto, o percussionista pernambucano vai ao Rio de janeiro para uma única apresentação, no Centro Cultural Calouste Gulbekian.

O show faz parte do projeto “África Diversa: I Encontro de Cultura Afro-Brasileira”, acontece de 17 a 22 de junho, e é realizado no ano considerado pela Unesco como o ano Internacional dos Afrodescendentes. O evento tem como objetivo promover uma visão sobre o panorama da cultura africana e o diálogo entre o Brasil e a África. “O que vou mostrar no show é difícil de explicar, gosto de compor um show que seja de exibição, mostrando a potencialidade visual que existe na música. Sou contador de histórias através de sons”, diz.

Força jovem

Em conversa por telefone com a reportagem do iG , Naná, que mora em Pernambuco, acredita que eventos como este realçam a força da cultura negra. “Acho maravilhoso, só tenho a agradecer pelo convite. Um projeto dessa natureza ajuda a levar à nova geração que não conhece a congada, jongo, a força de nosso povo. O festival tem essa importância cultural, visto que vários ritmos estavam prestes a desaparecer sem qualquer registro”, analisa ele.

Ainda segundo o músico, há dez anos, um desses ritmos fadados à extinção era o maracatu, de novo tão forte na região nordeste do País. “Agora você vê mulheres tocando, grupos folclóricos de universitários, além da influência eletrônica, que traz vitalidade ao cenário”, diz Naná que, desde jovem se envolveu com os tambores nos movimentos de maracatu locais. Começou a tocar aos 12 anos com seu pai no Recife, Pernambuco.

Esta “juventude eletrônica” está namorando e mexendo os ritmos antes tradicionais. Mandacaru beat é um exemplo disso. DJ Dolores é outro que defende a junção sem rodeios. “É importante que se misture com estas coisas. Você vê muita gente alternativa criando novos caminhos. Eu faço a ponte do outro lado, misturo os extremos, o erudito com o popular”, afirma Naná.

Divulgação/Prefeitura de Olinda
Encontro Estadual dos Maracatus de Baque Solto no Carnaval 2010

Música nas escolas

O percussionista tem um importante projeto educacional, desde 2004, com crianças de 7 a 10 anos de escolas públicas, chamado de “ABC musical”. Ele também levou o projeto aos demais países de língua portuguesa. Os jovens aprendem as raízes desses ritmos fadados ao esquecimento.

“De lá da África é que veio nosso folclore que, curiosamente, já não existe mais. Estou dando a chance de devolver esta riqueza a eles, só que com outra roupagem. A ideia é resgatar toda esta riqueza folclórica dos mais diferentes estados”, afirma.

A ideia de só trabalhar com crianças em fase de alfabetização, segundo ele, é para reforçar os laços culturais ainda na formação educacional. “Esta é a idade de transformação. Ela assume a cidadania, responsabilidade. A música vai do silêncio ao grito. Não é anarquia, é disciplina. Mexe com as emoções, é a mais imediata das artes”, diz.

Naná está prestes a completar 77 anos, agora em agosto. O que acha disso? “Me sinto com 45. Ajuda o fato de eu trabalhar com tantos jovens. Quero morrer jovem, o mais tarde possível. Mas sempre jovem”, brinca.


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