Mutantes preparam chegada de novo álbum ao Brasil

Haih... or Amortecedor é o primeiro disco de inéditas do grupo em 35 anos

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Seis meses após ser lançado na Europa e na América do Norte, o primeiro álbum de inéditas dos Mutantes em 35 anos, Haih... or Amortecedor , finalmente sairá no Brasil. Segundo o líder do grupo, Sérgio Dias, o lançamento deve acontecer ainda no primeiro semestre. Para compensar o atraso, a edição nacional terá algumas alterações em relação à internacional. "Teremos quatro músicas que não estão na versão lançada no exterior", revela o músico.

Enquanto o disco não sai no Brasil, Sérgio continua investindo na agenda internacional dos Mutantes. A conversa com o iG Música aconteceu direto de Las Vegas, onde o músico acerta os detalhes da série de shows pelo hemisfério norte que o grupo fará este ano. A programação inclui até uma participação no Festival de Glastonbury, um dos principais eventos de música da Europa, que acontece na Inglaterra em junho.

Esta vem sendo a tônica da carreira dos Mutantes desde a reunião do grupo, em 2006. Seu primeiro show, por exemplo, foi em Londres. Desde então, a banda fez mais apresentações no exterior do que no Brasil. E o álbum, é claro, saiu antes lá fora. "O interesse dos brasileiros pelos Mutantes é tão grande quanto o dos gringos", avalia Sérgio. "A diferença é que nos Estados Unidos e Europa as coisas são mais organizadas".

Além de Sérgio Dias (guitarra e vocais), a atual formação do grupo ainda tem Dinho Leme (baterista da banda nos anos 60 e 70) e mais os novos Bia Mendes (vocal), Vinicius Junqueira (baixo), Vitor Trida (cordas, sopros e vocal), Fábio Recco (teclado e vocal) e Henrique Peters (teclado e vocal). Zélia Duncan e Arnaldo Baptista (irmão de Sérgio e membro fundador do grupo) deixaram a banda em 2007.

"Desde que nos reunimos eu vinha tentando compor músicas novas. Mas a Zélia estava mais preocupada com a carreira dela, e o Arnaldo vivia em Minas", conta Sérgio. Ele não tem contato com o irmão desde que ele deixou o grupo. "Infelizmente, existe uma barreira em torno dele. Mas eu entendo, ele passou por muitas dificuldades. Se um dia ele quiser voltar, as portas estão sempre abertas", desabafa.

As dificuldades a que Sérgio se refere são o abuso de drogas e os problemas psiquiátricos que levaram Arnaldo a tentar o suicídio, em 1982. Desde então, ele vive num sítio em Minas Gerais com a mulher, Lucinha Barbosa. A turnê com os Mutantes em 2006 e 2007, junto com o documentário "Lóki", lançado em 2008, foi o mais perto que o músico chegou de um retorno à vida pública nos últimos trinta anos.

Sem Zélia e Arnaldo, o grande parceiro de Sérgio no novo disco é Tom Zé. O veterano cantor baiano assina com Sérgio metade das faixas de Haih... or Amortecedor . É uma reedição da parceria do final dos anos 60, quando Tom Zé compôs duas músicas com os Mutantes. "Naquela época, eu era um garoto, não conseguia nem conversar com ele. Hoje em dia, como estamos mais velhos, nos comunicamos melhor", conta.

Os dois se reencontraram em janeiro de 2007, no show de aniversário de São Paulo. Na ocasião, os Mutantes tocaram diante de 60 mil pessoas no Parque da Independência. Tom Zé, além de fazer o show de abertura, cantou duas músicas com a banda. "Falei com ele no palco e já começamos a fazer coisas juntos. Ele é muito rápido. Tanto que ele ainda liga para mim perguntando quando vamos voltar a compor".

A relação ainda rendeu um apelido dado a Sergio pelo baiano: baraúna. "É uma madeira, um pau de dar em doido. Ele agora só me chama de Serginho Baraúna", ri. Tom Zé e Mutantes voltarão a se reunir no palco em Londres, em julho. Ambos são atrações do Festival Brasil, que acontecerá na capital britânica e ainda terá atrações como Gilberto Gil e Maria Bethânia.

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