`Muita gente nem sabe quem sou¿, diz Bebel Gilberto

Indicada ao Grammy, o maior prêmio da música mundial, filha de João Gilberto diz que quer ser artista popular

Flavia Salme, especial para o iG |

nullDe sandália rasteira e calça jeans dobrada na altura da canela estilo “pescador”, Bebel Gilberto acerta detalhes do ensaio derradeiro para o último show da turnê de “All in one”. O CD, lançado há cerca de um ano, acaba de colocar a cantora na disputa pelo Grammy, o maior prêmio da música mundial, pelo melhor disco contemporâneo de world music.

Apesar do título, e de boa parte do repertório, em inglês, Bel – como é chamada pelos amigos – quer ser artista popular. “Esta é a segunda vez que toco na Lapa e isso é tão essencial quanto tocar no Sesc Pompeia (SP)”, diz. “É a oportunidade de me apresentar para muita gente que nem sabe quem eu sou”, afirma a filha de João Gilberto e Miúcha, que já vendeu mais de 2,5 milhões de cópias no exterior.

Nascida e radicada em Nova York, Bebel acumula 18 anos de juventude dourada nas areias de Ipanema. O encerramento das apresentações na Lapa carioca, nesta quinta-feira (2), no Circo Voador, parece ser especial: “Há um aperto no coração quando toco no Rio”. Há três anos Bebel não se apresentava por aqui.

Parceira de “Eu preciso dizer que te amo”, com Cazuza e Dé, e ovacionada por dar um banho de música eletrônica na Bossa Nova – gênero do qual seu pai foi um dos fundadores –, Bebel Gilberto foge de rótulos. “Tenho mais é que evitá-los. Pop eu sempre vou ser”, afirma. “Eu já estou numa fase da vida em que toco Bebel’s Music”, ri.

- Divulgação
Bebel Gilberto foi indicada ao Grammy de melhor disco contemporâneo de world music
“Tambores sempre altos”

No estúdio Floresta, no Cosme Velho, músicos que acompanham a cantora há uma década mostram que o repertório está maduro. Mais constante no grupo, o japonês Masa Shimizu ensaia sentado, alternando acordes de violão e baixo. Bebel, mais agitada, age como se estivesse no show. Saca o microfone do pedestal, cumprimenta o “público”, levanta as mãos, sacode os braços. Dança quase o tempo todo. Seus quadris seguem o compasso do paraense Magrus Borges. “Tambores amazônicos sempre altos”, ela pede ao baterista (e percussionista).

Além de composições autorais como “Canção de Amor”, “Port Antonio” e Dahling, parceria com Padro Baby, que fará participação especial no show no Circo, há, pela primeira vez, uma regravação de seu pai. “O repertório é sentimental, mas cantar Bim Bom é fichinha perto da emoção de me apresentar no Brasil”, ela diz.

Durante último ensaio, Bebel Gilberto abriu as portas do estúdio para o iG . Veja:

iG: Esse show encerra a turnê de “All in one”, que teve apresentações nos Estados Unidos, na Europa e na Asia. Mas você optou por encerrar os trabalhos no Rio de Janeiro. Qual a expectativa?
Bebel Gilberto: Rio de Janeiro e Lapa são lugares que fazem parte da minha vida. No caso do Circo Voador, eu participei da montagem dele, o que faz com que eu me envolva de uma forma única. Quando o Circo saiu do Arpoador e foi para a Lapa, eu já não tinha mais tanto envolvimento. Mas ao mesmo tempo eu sempre quis levar minha música para lá. E, no caso da Lapa, poder popularizar a minha música. Não quero que ela fique elitizada, quero que ela seja acessível. É isso que estou fazendo agora.

iG: Pela primeira vez você gravou uma composição do seu pai. Há uma relação sentimental com este repertório, que também traz Carmem Miranda e Bob Marley?
Bebel Gilberto: Sempre tem. Mas o que mexe mesmo comigo neste momento é tocar no Rio, reencontrar meus amigos. Estar no Brasil já dá um aperto no meu coração.

iG: Você aposta em alguma música específica para mexer com o público?

Bebel Gilberto: “Acabou Chorare” vai ser bem legal, ficou bem bonito.

iG: Participações especiais e surpresas, você pode adiantar alguma?
Bebel Gilberto: O Otto é meu convidado especial. E também a Orquestra Voadora. Fiz um show fechado recentemente, organizado pela Toulon, e eles estavam lá. Dei uma “roubada” na ideia e a gente vai repetir essa oportunidade para quem não viu.

iG: Esse show encerra uma turnê de um ano. E depois, o que você vai fazer?

Bebel Gilberto: Férias no Rio e na Bahia. Em janeiro volto para Nova York, e começo a cuidar do meu novo CD e do DVD. Quero fazer um acústico. O (ator) Guilherme Leme vai me ajudar na concepção e direção do DVD.

iG: Para quem é apontada como a grande intérprete da bossa eletrônica, fazer um CD acústico deve ser um desafio. O repertório já foi escolhido?
Bebel Gilberto: Vai ser uma mudança radical para dar um gostinho. É cedo para falar na escolha das músicas. Eu falo, e não acontece, fico com a cara no chão. Mas o Otto deve participar. Vai ter muita coisa boa.

iG: Você vai dividir suas férias entre o Rio, onde você cresceu, e a Bahia, onde seu pai nasceu. A Bebel de Nova York tem saudades da Bebel brasileira?

Bebel Gilberto: Pois é, tenho família lá na Bahia e uma relação muito intensa com tudo de lá. E aqui no Rio tenho os mesmos amigos há 25 anos. Embora eu seja uma pessoa comedida, adoro tomar um chope com eles no Leblon.

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