Mostra revê trajetória do Grateful Dead

Grupo americano tem sua história revista em NY através de acervo gigantesco

Agência Estado |

A trajetória do Grateful Dead causaria inveja a muito capitalista. Formada em 1965, a banda de São Francisco foi pioneira nos negócios ligados à música. Ao injetar profissionalismo à condução da carreira, ela frustrou o estereótipo esperado de músicos nascidos na contracultura, e imersos em experiências lisérgicas. A inesperada responsabilidade desses roqueiros cabeludos e o seu sucesso comercial vêm à tona na exposição "The Grateful Dead: Now Playing at the New York Historical Society".

Divulgação
Pôster de show da banda, exibido na exposição
Quando estreou em março, a mostra tinha previsão de ir até 4 de julho, mas foi estendida até 5 de setembro. O êxito se deve ao Grateful Dead Archive, o vasto acervo da banda, com contratos, cartas, camisetas, discos, filmes, pôsteres e fotos, doado, em 2008, para a University of California. Com ele é possível acompanhar a história do grupo até 1995, quando realizou o último dos seus mais de 2.300 shows.

Criada por Jerry Garcia (guitarrista e band leader); Bob Weir (guitarrista), Phil Lesh (baixista); Ron "Pigpen" McKernan (gaita e teclado); e Bill Kreutzmann (baterista), a banda inventou uma sonoridade que fundia blues, country, jazz, folk e bluegrass. E foi o primeiro grupo de rock a assinar com a gravadora Warner Bros, tendo participação de 8% em cada lançamento nos EUA. A baixa lucratividade com a venda de discos levou o grupo a abolir intermediários e a tomar posse dos direitos autorais. Nas décadas seguintes, a banda se cercou de profissionais para vender ingressos diretamente aos fãs pelos correios. Os Dead Heads (apelido dos fãs da banda) coloriam os envelopes em que solicitavam a compra das entradas e os melhores desenhos chegavam depois às camisetas oficiais e às capas dos discos.

A primeira grande ousadia do Grateful Dead, o Wall of Sound, um sistema de som construído com mais de US$ 300 mil no início dos anos 1970, era para monitorar melhor as execuções instrumentais. Os altos custos, porém, cancelaram a empreitada. Depois, permitiu que os fãs gravassem os shows em fitas cassete e as distribuíssem livremente. Só precisavam comprar um ingresso especial – de preço acessível – e ficar com os gravadores na área reservada para o registro das apresentações. A banda acreditava que os tapes, rolando de mão em mão, estimulariam a compra de discos, além do aumento de público.

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