Morrissey ataca família real britânica e ditador sírio em show em São Paulo

Após passar por Belo Horizonte e Rio, cantor inglês encerrou sua turnê brasileira neste domingo

Thiago Ney, iG São Paulo |

Com ingressos esgotados, o inglês Morrissey encerrou neste domingo (dia 11) sua turnê pelo país com apresentação em São Paulo. Em quase 1h30 de show, o cantor de 52 anos tocou seis músicas dos Smiths (sua ex-banda), atacou a família real britânica, criticou o ditador da Síria, Bashar al-Assad , e finalizou a noite enrolado em uma bandeira do Brasil.

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O cantor Morrissey em show em São Paulo

A voz está arranhada e um repertório de altos e baixos prejudica o ritmo do show, mas Morrissey não desonra sua história, pelo contrário: ainda é um performer tarimbado, que se movimenta sutilmente pelo palco, que faz uso de poucos gestos para ganhar o público que se espremia no Espaço das Américas - capacidade: 8 mil pessoas.

(Enorme galpão na Barra Funda, zona oeste da capital, o Espaço das Américas passou por uma reforma recentemente e tornou-se um local menos inóspito para shows: não existem mais tantas pilastras impedindo a visão do público, a acústica está melhor resolvida e há bares em quantidade razoável. Um ponto negativo eram os dois telões, que não funcionaram - e como o palco é baixo, a visão de quem estava muito atrás ficou prejudicada.)

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Morrissey durante show em São Paulo
Antes de chegar a São Paulo, Morrissey havia passado por Belo Horizonte (dia 7) e Rio de Janeiro (dia 9) . Escolheu as mesmas 19 músicas em cada um dos três shows (veja a lista ao final do texto).

Passava um pouco das 21h quando Morrissey subiu ao palco. Enquanto o cantor vestia uma camisa social amarela e calça preta, os integrantes de sua banda usavam uma camiseta vermelha estampada com um "Assad is shit" (Assad é merda).

Durante o show, Morrissey foi econômico ao falar com o público. Soltou um "Hello, Sampa!" ao entrar no palco, brincou com os fãs que estavam perto da grade em certo momento e, como havia feito na apresentação no Rio , atacou o príncipe Harry, que está no Brasil , e a família real britânica: "Harry está tentando promover a família real britânica. E pegar seu dinheiro. Digam 'não, não, não'. Chega de ditaduras!".

Se o jovem Morrissey que entre 1982 e 1987 fez história com os Smiths caminhava entre desilusões juvenis e críticas ao conservadorismo liderado por Margaret Thatcher, o velho Morrissey pós-Smiths mostra-se inquieto, irascível, como em "First of the Gang to Die", a primeira música do show. É uma canção forte, tão cortante quanto as melhores faixas dos Smiths.

Leia também: Morrissey critica príncipe e põe banda para tocar de sunga no Rio

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Morrissey em São Paulo
Morrissey é naturalmente teatral - espera os últimos versos de "You Have Killed Me" ("I forgive you"; eu te perdôo) para cumprimentar os fãs na frente do palco.

Além de "First of the Gang to Die", outra música da carreira solo de Morrissey bastante cantada pelo público é "Everyday Is Like Sunday", com uma interpretação que realça o gosto agridoce de sua letra.

"Still Ill", a primeira dos Smiths a aparecer, nos lembra como Morrissey pode ser brilhante ("Debaixo da ponte de aço nos beijamos/ E embora eu tenha ficado com os lábios doloridos/ Não foi como nos velhos tempos"). "Meat Is Murder", a segunda dos Smiths a aparecer, nos lembra como Morrissey pode ser um mala.

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Os Smiths são revividos ainda em "I Know It's Over", uma das mais lindamente tristes músicas sobre relacionamentos; no grande hit "There Is a Light That Never Goes Out"; em "Please, Please, Please Let Me Get What I Want"; e em "How Soon Is Now?", com o inconfundível riff de guitarra.

O bis teve apenas uma música, "One Day Goodbye Will Be Farewell", do disco mais recente do cantor, 'Years of Refusal" (2009). Morrissey enrolou-se numa bandeira do Brasil, despediu-se e deixou o palco. Mostra estar conectado com o presente, e em paz com o passado.

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Abaixo, as músicas tocadas no show.

"First of the Gang to Die"
"You Have Killed Me"
"Black Cloud"
"When Last I Spoke to Carol"
"Alma Matters"
"Still Ill"
"Everyday Is Like Sunday"
"Speedway"
"You're the One for Me, Fatty"
"I Will See You in Far-Off Places"
"Meat Is Murder"
"Ouija Board, Ouija Board"
"I Know It's Over"
"Let Me Kiss You"
"There Is a Light That Never Goes Out"
"I'm Throwing My Arms Around Paris"
"Please, Please, Please Let Me Get What I Want"
"How Soon Is Now?"
Bis:
"One Day Goodbye Will Be Farewell"

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